Em meio à guerra de espadas, Tagua Tagua reflete sobre a tradição e o novo em ‘Rastro de Pó’; assista
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Em meio à guerra de espadas, Tagua Tagua reflete sobre a tradição e o novo em ‘Rastro de Pó’; assista

Pedro Antunes

07 Fevereiro 2018 | 13h06

A guerra de espadas, com fogos de artifício, é tradição. É também perigosa.

Dor e o alegria nascem das mesmas labaredas.


É também proibida, clandestina.

Felipe Puperi, ex-Wannabe Jalva, agora no projet Tagua Tagua

Para o clipe de Rastro de Pó, Felipe Puperi, em seu projeto Tagua Tagua, viajou até Cruz das Almas e Sapeaçu, cidades a mais de três horas de carro de Salvador, na Bahia, em busca desse legado de festas de São João.

O resultado, de uma poesia espinhosa, pode ser conferido ao final do texto, em um lançamento exclusivo do blog.

A ideia veio do encontro de Puperi com o diretor Douglas Ratzlaff Bernardt, quem lhe sugeriu filmar as lutas de espadas. A proposta rendeu duas idas até o interior da Bahia em busca da história a ser contada no clipe – a primeira numa espécie de reconhecimento cheio de percalços, histórias e novos amigos e, a segunda, para as gravações.

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E é uma sensação dicotômica. A beleza das imagens, dos rasgos de luz na escuridão, embalados pela antecipação por uma tragédia. Por um sorriso simples transformado em lágrimas. Ao fim, resta a dor.

É como o fogo, que queima e arde, belo e ameaçador. Resta o pó, em um diálogo direto com a música do Tagua Tagua, cujos versos escancaram um final quase niilista.

“Leva teu cajado desajustado / 
Que a vida é nó / 
Cada passo dado, não há legado / 
Teu rastro é pó”, canta Felipe Puperi, na faixa.

+++ Em novo projeto, Felipe Puperi, do Wannabe Jalva, grita a liberdade com ecos de guitarra, afrobeat e do novo R&B

Clipe e canção se comunicam, trazem, nos dois, o embate entre o velho e o novo, a tradição e o moderno. Na técnica de câmera e edição e na estética sonora do Tagua Tagua, ambos contemporâneos e plásticos. E também nos sentimentos que nascem a partir dali, uma aflição antiga, do perigo, que parece já nascer com a gente.

Assista ao clipe de Rastro de Pó, do Tagua Tagua: