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Danilo Moralles vive a noite quente em primeiro disco – e tem até Belchior revisitado

Pedro Antunes

23 Agosto 2017 | 10h00

Artista faz show de lançamento neste sábado, 26, na Casa do Mancha, em São Paulo

Danilo Moralles (Ana Alexandrino)

Nas batidas eletrônicas, Danilo Moralles cresce. A voz, por vezes robótica ao ser acompanhada pelos beats derramados por Marco A.S, soa orgânica, contudo.

O que ele canta é vivo, bate e pulsa. Chora e ri.

Com Voodoo Prazer, o disco de estreia desse sujeito que você já deve ter encontrado perambulando pela noite paulistana, de sorriso gentil, é a versão artística dele.

E ele frita com a pista, sua companheira, experimenta e se diverte no processo, mesmo que às vezes possa  sangrar.

Moralles, em Voodoo Prazer propõe um noite ao seu lado. Pega o ouvinte pela mão e o coloca dentro de inferninhos desconhecidos. Lado a lado, a jornada é próxima. Como confidentes. Moralles mostra quem é, o que lhe é íntimo. Seus flertes, seus foras, suas fossas.

E como a jornada por essa noite louca, a euforia toma conta do início e do fim. Canto abre o disco com ecos e poucos versos (são apenas quatro) – a jornada, ainda, é sensorial. Quando a noite acaba, com Sedento, Moralles já canta a madrugada, o dia prestes a nascer e a batida acelerada indica que, se pudesse, ele se manteria ali. No seu habitat, a noite.

Desolado, ele aos poucos se solta. Com Cicatriz, confessa:  espinhos lhe descem cortando a garganta. “Não me toque”, ele diz. Há a mágoa.

E há paixão também. Um amor que pede por mais, sempre, para sobreviver saudável, tal qual cantado em Papel Sulfite – ele quer que o sentimento, para ser saudável, seja mútuo.

E avisa: se não for possível, vai transformar a música em desilusão. Faz um blues tristonho para se colocar de volta nos eixos, como garante em Blues.

E canta Belchior, numa interessante versão de Sujeito de Sorte. Compartilham o sentimento artístico de abrir a si em cada canção. Portanto, quando diz “ano passado eu morri, mas este ano eu não morro”, há a sua verdade ali também.

Lançado de forma digital pelo selo Joia Moderna, de Zé Pedro, Voodoo Prazer surgiu do acaso. Moralles enviou, por WhatsApp, a versão crua de suas canções a Pedro e foi chamado para uma reunião. Marco A.S, convocado, fez os arranjos também sobre a bases ainda cruas. Depois, Moralles ao estúdio para gravar as canções.

O coração que bate em Moralles também garante a quentura nessas canções etéreas. Aproxima. Faz, da narrativa, uma noite na qual você poderia se perder também. E, ao final dela também querer um repeteco.

Voodoo Prazer chega às plataformas digitais nesta quarta-feira, 23, e tem seu lançamento oficial comemorado no sábado, 26, com apresentação na Casa do Mancha (Rua Felipe de Alcaçoca, s/n – Vila Madalena), a partir das 21h. Os ingressos custam R$ 25.

Ouça: