Boogarins produz três músicas durante imersão do festival Coquetel Molotov, em Belo Jardim, no Pernambuco; ouça
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Boogarins produz três músicas durante imersão do festival Coquetel Molotov, em Belo Jardim, no Pernambuco; ouça

Pedro Antunes

20 Dezembro 2017 | 09h21

Por dois dias, o Boogarins se deixou imergir.

Em uma proposta do descoladíssimo festival pernambucano Coquetel Molotov, a banda goiana se encontrou com o público inscrito gratuitamente para uma oficina no Instituto Federal de Pernambuco (o IFPE), em Belo Jardim, município localizado no agreste pernambucano, na região da Vale do Ipojuca, durante os dias 26 e 27 de outubro.

Boogarins, na Califórnia (Foto: Hoppie Newton)

O festival foi realizado em Belo Jardim pela terceira vez em 2017. No Recife, neste ano, o Coquetel Molotov, criado por Ana Garcia, chegou à 14ª edição.


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A proposta ao Boogarins era contextualizar a produção e criação dos três discos deles (As Plantas que Curam, Manual e Lá Vem a Morte).

Além disso, banda e o público participante, ao final de dois dias imersos, teriam criado canções originais gravadas totalmente por celular, em um processo já experimentado pelos Boogarins durante a gravação do discaço Lá Vem a Morte, lançado pelo quarteto em 2017.

(Aliás, assista ao programa Tem um Gato na Minha Vitrola, criado pelo autor do blog, sobre o terceiro álbum dos Boogarins aqui)

As três canções resultantes desse projeto estão no fim do texto, lançadas com exclusividade pelo blog.

Imersão com a banda Boogarins no festival Coquetel Molotov em Belo Jardim (Foto: Hannah Carvalho)

O Último Fade OutNunca Vá e Vai Suave são razoavelmente distante esteticamente do material produzido pelo Boogarins nos seus álbuns, o que escancara o que há de mais interessante no projeto.

São como primos que, afinal, partilham de uma parcela genética.

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Benke Ferraz, guitarrista do Boogarins, dá a letra sobre o que atraiu a banda ao processo. “Praticamente todo compositor já se viu nesse dilema”, ele diz, e segue: “depois de ficar muito tempo maturando e lapidando sua música, chegar em um ambiente novo que não domina, com tempo limitado e tendo como única ponte entre a própria arte e o registro eterno dela uma pessoa que pode não ser a mais indicada para aquela música ou até mesmo, o que é muito comum, está lá só pra fazer bater ponto e não para colaborar artisticamente. Por isso achamos interessante contar essa história de como nosso som e estética foi baseada num lance totalmente caseiro e espontâneo.”

Imersão com a banda Boogarins no festival Coquetel Molotov em Belo Jardim (Foto: Hannah Carvalho)

David Henrique, também conhecido como Birigui, integra a banda Virgulados, uma das responsáveis por agitar a cena musical de Belo Jardim, assina letra e vocais da existencialista O Último Fade Out, chama a imersão de “Oficina de Artesania Musical”.

Ele justifica o “batismo” com a ideia de que tudo, ali, foi criado de forma orgânica. “As músicas foram captadas, recicladas e reinventadas a partir de coisas simples”, disse. “Foi uma experiência incrível e necessária para quem produz música”, completa.

Imersão com a banda Boogarins no festival Coquetel Molotov em Belo Jardim (Foto: Hannah Carvalho)

O Último Fade Out tem sua força nas guitarras perturbadas de Raphael Vaz e Dinho Almeida, ambos do Boogarins, a tornar Birigui em um arauto de um tempo que já se foi. Hannah Carvalho, do selo recifense PWR, assume as baquetas enérgicas na canção que profetiza o fim do mundo.

Nunca Vá chega na contramão. As colagens eletrônicas levam a voz de Ana Cordeiro para um ambiente estético de bandas como o Dirty Projectors. Habita, na faixa, o pessimismo corrente. “Quando o assunto é o amor, nunca vá até o limite”, repete a canção, como um mantra.

Por fim, Vai Suave  mantém o caráter mântrico, mas a viagem é outra. O baixo de Raphael Vaz desenha um riff poderoso, arisco e deliciosamente viciante.

Depois da imersão a emersão. E nada é como antes. Ainda bem.

Confira, abaixo, as três músicas criada durante o Coquetel Molotov Belo Jardim 2017: