Banda Uó, que fez os indies esquecerem a vergonha do rebolado, anuncia recesso
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Banda Uó, que fez os indies esquecerem a vergonha do rebolado, anuncia recesso

Pedro Antunes

25 Outubro 2017 | 19h06

“Eu quero me acabar, me acabar
Vou pra Banda Uó ao som do brega, eu quero ver o
DJ tocar, o DJ tocar”

Era entrada da década, o tecnobrega deixava o Pará. Escorria, como um suor gostoso, o restante do País.

Banda Uó (Foto: Ian Rassari)

Com a banda Tecno Show, então liderada por Gaby Amarantos, o gênero era representado por outros nomes da cena, como a Banda Quero Mais, Xeiro Verde, Eletro Batidão, Banda Djavu.

De Goiânia, capital da música sertaneja e, mais recentemente, do stoner rock, da psicodelia e de muito do que há de de bom que existe no indie nacional hoje, vinham Davi Sabbag, Mel e Mateus Carrilho, a Banda Uó.

Era a hora para a fusão daquele calypso, do carimbó e merengue e os beats eletrônicos. Era uma época de noites quentes, corpos suados e grudados.

E a Banda Uó, com versos urbanos – sobre romances tórridos, festas delirantes e transas gotejantes -, era o que faltava para o indie quebrar o ranço. Foi, como mágica, o tempo no qual as camisas xadrez eram dobradas até acima dos cotovelos, para não dificultar o movimento.

Não era a única responsável por isso, é verdade, mas a Banda Uó acertou em cheio em um nicho. Num show no festival suprassumo do alternativo, o Planeta Terra, em 2013, por exemplo, fez o público esquecer até da chuva.

Os alternativos foram até o chão com eles – eu sou testemunha.

Havia um assanho, uma sensualidade nas letras sacanas de Davi, Mel e Mateus. Contagiava. Havia uma nova euforia criada a partir dessa nova libertação sexual.

Foram sete anos de banda, dois discos – Motel, de 2012, e Veneno, de 2015 – alguns EPs, singles e shows aos montes.

A Uó ainda foi a primeira a trazer uma trans nos microfones. Que época boa para ter sido vivida, definitivamente.

Época que não existe mais, tal qual a Banda Uó.

Na manhã desta terça-feira, 25, o trio anunciou uma pausa, recesso, ou como quer que queiram entender. Foi uma decisão coletiva, segundo informam os três em um vídeo publicado no YouTube da banda  – atualmente, o 33º mais assistido do dia na plataforma de vídeos em streaming.

Eles manterão a agenda até o carnaval de 2018, prometem lançar uma música nova, chamada Tô na Rua, e prometem que, agora, os fãs terão três artistas a seguir.

Houve uma leveza safada naquela entrada de década. Brega e divertida. Mas o mundo endureceu, o Brasil encaretou. Tudo acinzentou.

A Banda Uó já não canta mais o 2017, há uma rachadura temporal ali. Soam como noites felizes que parecem distantes, presas nas memórias de 2010, 2011, por aí.

Assista ao vídeo com o comunicado e, abaixo, o texto de despedida da banda: 

Após 7 anos de Banda Uó, nós tomamos a decisão de fazer uma pausa. Cada um sentiu que era a hora de dar oportunidade para coisas novas. Somos artistas em transformação constante, e sentimos essa necessidade, esse é o maior motivo para esse acontecimento.

Estamos em um momento ótimo, e de forma natural cada um começou a desenhar um novo lugar para si. Somos uma família e nos amamos, por isso queremos ser sinceros com o nosso publico e todos os fãs que nos amam e acompanham nosso trabalho.

Novos projetos surgirão, entre outras coisas que cada um deseja realizar nessa nova jornada. Mas antes disso lançaremos uma música inédita, é um presente para os uózeiros espalhados pelo Brasil.

Ela se chama “Tô Na Rua” e será lançada ainda esse ano com clipe.

No mais nós só queremos agradecer todo carinho e amor de cada pessoa espalhada pelo mundo que fez uó e se divertiu com a nossa arte. Vocês agora acompanharão 3 carreiras e nós continuaremos aqui por vocês. Até daqui a pouco, Mateus, Davi e Mel.”