Um adeus de sorte para Harry Dean Staton

Um adeus de sorte para Harry Dean Staton

Rodrigo Fonseca

07 Dezembro 2017 | 10h55

Morto aos 91 anos, Harry Dean Staton abre um debate sobre a fé no aclamado “Lucky”, hoje em circuito no Brasil

Rodrigo Fonseca
Entre todas as muitas estreias desta quinta, nos cinemas brasileiros, nada bate a força da dramédia Lucky, aclamada sob quilos de aplausos por onde passa, a julgar por sua exibição no Festival de Locarno, na Suíça. Trata-se do canto de cisne para Harry Dean Staton, mito que fez sua passagem para a Eternidade no dia 15 de setembro, aos 91 anos. Astro de Paris, Texas (1984), famoso como coadjuvante nas décadas de 1970 e 80, tendo passado por sucessos como Alien, o Oitavo Passageiro (1979) e A Garota de Rosa-Schocking (1986), ele brilha no papel de Lucky, um ateu que começa a refletir sobre a existência ao vislumbrar sua finitude. Seu maior desafio é se desfazer de seu maior prazer: o cigarro. David Lynch, cineasta que adorava Staton, integra o elenco, numa interpretação hilária. Aliás, HDS atuou na temporada 2017 de Twin Peaks, em meio à loucura lynchiana. A direção é do também ator John Carroll Lynch, que participa de sucessos como A Ilha do Medo (2010). Existe mais um longa inédito com imagens zero km de Staton: chama-se Frank and Ava, sobre o passado amoroso do cantor Frank Sinatra e da atriz Ava Gardner.