Tony Manero comemora seus 40 anos na praia de Cannes

Tony Manero comemora seus 40 anos na praia de Cannes

Rodrigo Fonseca

19 Maio 2017 | 10h07

Lançado em 1977, quando valeu a John Travolta uma indicação ao Oscar, Os Embalos de Sábado à Noite tem sessão em Cannes neste sàbado, para celebrar suas quatro décadas de sucesso

RODRIGO FONSECA
Rola por Cannes um boato de que John Travolta vai passar pela cidade neste sábado por um motivo nobre: comemorar os 40 anos de seu maior sucesso: Os Embalos de Sábado à Noite. Lançado em 1977, o filme – centrado na jornada de inclusão social do jovem Tony Manero (John Travolta) pelas pistas de dança de Nova York – vai ter uma projeção comemorativa nas areias da Croisette, na mostra Cinéma de la Plage, num telão improvisado em frente ao mar. Mito da TV americana, onde atualmente é responsável pela direção de episódios de Supernatural Rush Hour, além de uma colaboração direta em Arrow, o diretor inglês John Badham é esperado por aqui também e falou com a gente de véspera sobre detalhes da produção, relembra detalhes da produção, que custou US$ 3 milhões e faturou US$ 237 milhões pelo mundo afora.

“Aquele drama sobre juventude virou um filme social porque ele foi rodado, formalmente, como se faz documentário, com câmera na mão e interação com transeuntes. Fizemos um documentário vivo, ao vivo, sobre a Era Disco, um mundo que vivia de imaginação e da promessa do prazer. Na prática, ao redor de todo o glamour das pistas, o que havia era um mundo ordinário e um ambiente de profunda solidão, no qual as pessoas dançavam para exibir virtudes individuais e não para trocar com os parceiros. Mas as pessoas se esforçavam para ver o universo que habitava cada boate como se fosse um conto de fadas. Era a ilusão da felicidade por uma noite”, explica Badham por email. “Por isso, quando filmado, aquele ambiente tinha algo de mágico. Mas a questão cinematográfica ali era encontrar um equilíbrio para juntar dois mundos muito distintos e harmonizar duas linguagens distintas. De um lado, havia a realidade pobre do Brooklyn, a vida nas ruas, o dia a dia em família. Do outro, havia as pistas de dança”.

Nesta segunda, o menu do Cinéma de la Plage oferece uma versão inédita de Bad Boys (1995), aproveitando a presença de Will Smith entre os jurados pela Palma de Ouro. Na competição oficial, o drama russo Loveless, de Andrey Zvyagintsev (realizador de O Retorno), foi o mais aclamado, falando de um ex-casal às voltas com o desaparecimento do filho. Outro que agradou a todos foi um exercício tardio de neorrealismo à moda germânica: Western, um drama social de secura extrema, rodado com não atores, exibido na seção paralela Un Certain Regard. Este virou “o” assunto do festival. Dirigido por Valeska Grisebach, ele fala sobre o choque entre operários alemães e búlgaros na realização de uma construção. A grande decepcão festival até aqui veio da Quinzena dos Realizadores: Un Beau Soleil Intérieur, com uma Juliette Binoche caricata.