‘Todas as cores da noite’ é um convite ao mistério

‘Todas as cores da noite’ é um convite ao mistério

Rodrigo Fonseca

02 Abril 2017 | 14h14

Sabrina Greve uma vez vez mais afirma seu talento e sua manha para filmes de verve crítica em

Sabrina Greve uma vez vez mais afirma seu talento e sua manha para filmes de verve crítica em “Todas as Cores da Noite”

RODRIGO FONSECA
Tem cheiro de David Lynch em Todas as Cores da Noite, rascante longa-metragem de estreia do curta-metragista pernambucano Pedro Severien, realizador de Canção para Minha Irmã (2012), que terá exibições abertas ao público (e ao debate) tanto em São Paulo quanto no Rio de Janeiro nesta quarta-feira, dia 5, às 21h30m. Em solo carioca rola projeção no Espaço Itaú. Em terras paulistas é no Espaço Itaú Augusta. E em périplo pelo Brasil, neste domingão, o filme tem sessão às 16h no Cine Teatro Recreio, em Rio Branco, no Acre, e no Cine Cultura de Goiânia, às 19h.

Há nele uma atmosfera lynchiana em sua ritualização para o desespero de uma mulher (vivida pela atriz – e que atriz! – Sabrina Greve) em luta para não repetir o mesmo destino de uma amiga de infância, num movimento que só lhe gera inércia. Mortos têm uma compostura silenciosa. Mas fantasmas são ruidosos no filme de Severien, capaz de esmiuçar a alma feminina ao largo de sua habilidade de alimentar o suspense. Há um cadáver numa sala e, a partir dele, as três mulheres que se encontram em pé de igualdade, ao largo de suas diferenças de classe, de dinheiro e de pele, botam para fora demônios e muita roupa suja acumulada. De um rigor cirúrgico, a fotografia de Daniel Aragão e Beto Martins se deleita diante da paleta de cores que rodeia uma casa à beira-mar. A paisagem litorânea ajuda a contextualizar a opressão em que Íris se isolou. Mas a geografia que interessa mais à câmera é a de seu isolamento no medo e na loucura. E fora, isso, tem um roteiro que valoriza a força da palavra. Ave rara.

 

 

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