Premiado em Cannes, sucesso nos EUA, ‘Terra Selvagem’ desbrava o Festival do Rio 2017

Premiado em Cannes, sucesso nos EUA, ‘Terra Selvagem’ desbrava o Festival do Rio 2017

Rodrigo Fonseca

01 Outubro 2017 | 09h56

Rodrigo Fonseca

Mais um Festival do Rio bate à nossa porta: começa quinta, com uma projeção só para convidados, no Odeon, do Leão de Ouro de Veneza, a fantasia A Forma da Água, e vai “pra galera” a partir de sexta. Bota na agenda: é de 5 a 15 de outubro. E já no dia 6 tem uma pepita de ouro, premiada lá em Cannes, na mostra Un Certain Regard, com a láurea de melhor direção: o thriller indigenista de origem americana Terra Selvagem (Wind River). Passa no Kinoplex São Luiz às 16h30 e 21h30. Quem dirige é Taylor Sheridan, laureado em solo cannoise pela fina carpintaria de ação de seu trabalho. É um filme sobre o esquecimento e sobre a intolerância, ambos caminhando juntos, na erosão dos povos indígenas. Sua estreia nos EUA foi cercada de elogios e de debates sobre o extermínio de uma civilização pela exclusão armada, pelo estupro gradual de nativas. Mais do que isso, lá, esta produção indie de US$ 11 milhões foi um sucesso de público, tendo faturado US$ 32 milhões – e sua carreira mundial, pensada de olho em Oscars, ainda não começou.

Roteirista do cult A Qualquer Custo (2016), pelo qual foi indicado à estatueta de Melhor Roteiro da Academia de Hollywood, Sheridan narra aqui uma investigação empreendida por um rastreador profissional (Jeremy Renner) e uma agente do FBI (Elizabeth Olsen) para desvendar um assassinato em uma reserva. No Festival de Karlov Vary (um dos mais antigos do mundo, realizado em solo tcheco), ele papou prêmios de júri popular e melhor ator, consagrando a atuação de Renner. “Este filme, feito com o melhor de nós, com o máximo de nossa disciplina para enfrentar o frio, é uma celebração das diferenças, de raça, de credo, de respeito ao próximo e à Natureza”, disse o astro ao P de Pop em Cannes.


Ainda na sexta, começa a Première Brasil, cujo primeiro título em concurso será As Boas Maneiras, longa-metragem paulista de lobisomem, dirigido por Juliana Rojas e Marco Dutra, que acaba de conquistar uma menção especial na seleção competitiva do Festival de Biarritz, na França. Antes, este terror gourmet papou o Prêmio Especial do Júri em Locarno, na Suíça. Na trama, uma babá vai cuidar do filho de uma mulher de classe média e descobre que a lua cheia afeta o bebê. Marjorie Estiano e Isabél Zuaa assumem os papéis principais.