‘Pazucus’, estética gastroenterológica

‘Pazucus’, estética gastroenterológica

Rodrigo Fonseca

09 Abril 2018 | 11h38

“Pazucus’: destaque catarinense na Mostra do Filme Livre (MFL) no CCBB

Rodrigo Fonseca
Escatologia, tens um sinônimo de invenção no cinema brasileiro: Gurcius Gewdner. Quietinho, trabalhando com recursos microscópicos, esta revelação da cena cinematográfica catarinense vem criando uma obra irônica, por vezes indigesta, com exercícios autorais tipo Eu Sou Um Pequeno Panda, mas sempre bem-humorada, arejando seus trabalhos com uma reflexão sobre o lugar do gênero numa indústria audiovisual. Na tarde desta segunda-feira (dia 9), às 16h, quem passar pelo Centro Cultural do Banco do Brasil do Rio (CCBB-RJ) para curtir a obrigatória Mostra do Filme Livre, vai rir e se assombrar com uma de suas mais recentes criações. Assombrado por criaturas que parecem fezes ambulantes, o escatológico longa-metragem de horror catarinense Pazucus – A Ilha do Desarrego, rodado em Florianópolis, a um custo estimado em R$ 15 mil, já ganhou as telas da Europa e chega agora ao Rio celebrando a irreverência. Orgulhoso de ter nascido no mesmo dia que o austríaco Arnold Schwarzenegger veio ao mundo, Gewdner concebeu este petardo escatológico a partir de Bom Dia, Carlos, do qual Pazucus é um derivado. O foco aqui é cotidiano do tal Carlos (o ator Marcel Mars), um sujeito que escuta vozes de seu próprio estômago. Segundo Gurcius, ele é “um pobre coitado povoado por cocôs falantes”. Na trama, conhecemos alguns dos personagens que vivem em volta de Carlos e sua barriga em crise. Entre eles, há um grupo de adolescentes dançarinos, o casal Omar & Oréstia (que busca redenção no relacionamento através da propagação de morte e lixo), e o Dr Roberto, que segue obsessivo com relação a um tsunami apocaliptico que pode destruir sua ilha, caso ele não mate o protagonista.

Às 18h, a MFL exibe o obrigatório longa de horror coletivo O Nó do Diabo.