‘Paddington 2’, um filme pimpão, com uma dublagem acertada

‘Paddington 2’, um filme pimpão, com uma dublagem acertada

Rodrigo Fonseca

04 Fevereiro 2018 | 09h40

“Paddington 2”: Hugh Grant acossa um urso fofo numa Londres de algodão doce

Rodrigo Fonseca
Raras vezes na história recente da dublagem nacional, a escolha de astros da TV ou de personalidades midiáticas para emprestar a voz a um longa-metragem hollywoodiano, sobretudo de animação, funciona com excelência, mas Paddington 2 dribla todas as falhas de esquema marketeiro graças ao desempenho de Bruno Gagliasso. Azeitadinho no labial, no ethos e na fofura do ursinho pimpão criado na literatura por Michael Bond, o astro de Dupla Identidade (uma das melhores séries já feitas pela TV Globo) dá a mistura certa de fragilidade e perseverança ao herói infantil desta produção de DNA inglês pilotada por Paul King. Sua bilheteria mundial beira US$ 193 milhões, tendo como eixo as peripécias de Paddington para encontrar um livro em 3D sobre Londres que pode revelar o segredo de um tesouro. O tal opúsculo foi roubado e ele, coitadinho, é acusado, indo parar no xilindró, nas garras e nos talhares do cozinheiro mau Montanha (Brendan Gleeson, memorável). Este ganha o gogó do chef Henrique Fogaça por aqui. Sobra para Marcio Garcia dublar Hugh Grant no papel do afetado vilão Phoenix Buchanan, um ator falido e sem caráter. A voz habitual de Grant por aqui é de Marco Antonio Costa, tendo ido já para (o insosso) Eduardo Borghetti em equivocadas escalações. Garcia dá outro tom ao astro de Um Grande Garoto (2001), mas segue um caminho de fleuma divertido, funcional. É difícil algo não funcionar num roteiro tão bem amarrado, que favorece a fabulação, abrindo precedentes para que se conjugue os efeitos de CGI com os intérpretes de carne e osso. Um filme primoroso para estes nossos dias de crise moral.