O que não se deve perder neste fim de Festival do Rio

O que não se deve perder neste fim de Festival do Rio

Rodrigo Fonseca

14 Outubro 2016 | 13h20

“Ma Ma”, de Julio Medem

RODRIGO FONSECA
Iniciado no dia 6, com uma projeção da sci-fi A Chegada (Arrival), de Denis Villeneuve, o Festival do Rio 2016 fecha suas portas neste domingo, dia 16, deixando mais alguns dias de chorinho para os cinéfilos carioca numa repescagem dos maiores sucessos. Já que o fim de semana está aí à nossa porta, confira aqui alguns dos títulos imperdíveis do evento este ano.

Ma Ma, de Julio Medem: Pepita de ouro do mais alto quilate de todo o festival, por renovar as bases do melodrama, esta produção espanhola pilotada pelo realizador de Lúcia e o Sexo (2001), beneficia-se da fúria uterina de Penélope Cruz. Numa atuação de mesmerizar, ela é uma professora desempregada às voltas com um câncer, com um novo amor (vivido pelo magnífico Luis Tosar, o José Mayer galego) e com uma gravidez inesperada. Tem sessão sábado, às 16h15m, no Odeon.

 


Wiener-Dog, de Todd Solondz: Mesmo sem o prestígio de que desfrutava nos tempos de Felicidade (1998), Todd Solondz, o mais pessimista dos diretores da seara indie dos EUA, volta aqui com seu humor negro em riste, trazendo Danny DeVito como um roteirista e professor de dramaturgia derrotado, às voltas com o desprezo alheio. O filme é uma colagem de quatro historietas alinhadas pelo amor dos personagens a seus cães, inclusive um salsichinha chamado Câncer. Passa neste domingo, às 19h20m, no Reserva Cultural Niterói.

Capitão Fantástico, de Matt Ross: Cotada para prêmios (fala-se até em Oscar) desde a conquista da láurea de melhor diretor na ala Un Certain Regard do Festival de Cannes, em maio, esta dramédia vem sendo elogiada mundialmente pelo desempenho de Viggo Mortensen. Na trama, o eterno rei Aragorn de O Senhor dos Anéis é um escritor excêntrico que vive com os filhos em reclusão na Natureza, sem contato com a tecnologia digital nem com guloseimas “estraga estômago” do mundo industrializado, chamando refrigerante de “água envenenada”. Mas o enterro de sua mulher obriga o sujeito a sair de seu casulo natureba para arrastar suas meninas e meninos pela América adentro, ensinando a eles que nunca é cedo demais para se decorar poemas.  Tem exibição nesta sexta, às 17h, no Roxy 2.

Tomcat, de Klaus Händl: Ganhador do prêmio LGBT mais famoso do cinema, o Teddy, dado pelo Festival de Berlim, este suspense gay parte de uma história de amor entre dois homens, sempre acompanhados de um gatinho de estimação, Moisés, para retratar o quanto uma paixão pode evoluir para a barbárie. Tem sessão às 13h, neste sábado, no Roxy.

E das descobertas imperdíveis do festival, sem data de volta ao circuito nacional, “o” destaque é:

Você e os Seus, de Hong Sang-soo: Prêmio de melhor direção no Festival de San Sebastián, esta quase comédia romântica coreana, do realizador de Hahaha (2010) e de A Visitante Francesa (2012) é uma aula de semiologia sobre as regras do querer, que movimenta a câmera em ângulos que enfrentam seus personagens sem jamais serem invasivos. Tudo se descortina na relação de um sujeito querido por todos com sua namorada, que gosta mais de beber do que de amar.