Michael B. Jordan em fervura máxima em Cannes

Michael B. Jordan em fervura máxima em Cannes

Rodrigo Fonseca

12 Maio 2018 | 23h12

Michael B. Jordan defende a literatura a fogo em “Fahrenheit 451”

Rodrigo Fonseca
Pobre do festival que não precisa de heróis: Cannes, soberano entre as mostras autorais da Europa, por sorte não caiu nessa esparrela iconoclasta e abraçou Michael B. Jordan como seu paladino, ovacionando sua chegada ao Palais para a exibição de 0h de Fahrenheit 451, um projeto da grife HBO. Vilão em Pantera Negra, pugilista perseverante em Creed: Nascido Para Lutar, vítima de racismo em Fruitvale Station, o ator californiano de 31 anos assume o papel do bombeiro obrigado a incendiar livros no futuro distópico baseado na literatura de Ray Bradbury. A direção de Raman Bahrani (99 Homes) é coxa, abrindo deixa para o ritmo ralentar e o foco crítico se perder. As cenas de ação são melhores que o material literário original podia inspirar. Mas a referência do Fahrenheit original do cinema, dirigido por François Truffaut com Oskar Werner em 1966, ainda é mais pujante na memória. Mas não há que se disse um “ai!” do desempenho de Jordan, cada vez mais habilidoso na arte de escavar tridimensionalidade da alma de seus personagens. Mesmo com Michael Shannon em cena (na pele do chefe dos bombeiros), o jovem astro consegue se firmar em cena a partir das angústias que empresta ao silêncio.

Para este domingo, “a” pedida fora da competição oficial está na Quinzena dos Realizadores: é Leave No Trace. Ele tem tudo para estar no Oscar do ano que vem. Vai passar em Cannes neste domingão, cercado de expectativas, pois quem assina o filme é Debra Granik.  Realizadora do seminal Inverno da Alma (2010), que revelou a atriz Jennifer Lawrence para o sucesso, Debra volta à direção para narrar a luta de dois eremitas, a adolescente Tom (Thomasin Harcourt Mckenzie) e seu pai (Ben Foster, um ator em crescente evolução), para se adaptar a uma realidade perigosa após uma intervenção das autoridades em seu mundo de isolamento.

Na Semana da Crítica, o barato que está por vir, nesta terça, é Fuga, drama polonês de Agnieska Smoczynska, sobre uma jovem que perde a memória e é obrigada a ter que gostar de uma família que não reconhece. Um dos longas de melhor boca a boca da Croisette veio de lá: Diamantino, uma coprodução Brasil x Portugal sobre os delírios de um craque de futebol.

p.s.: Escutei das mais variadas línguas – do Inglês canadense ao Italiano – elogios à fotografia de Gustavo Hadba em O Grande Circo Místico, que botou Cacá Diegues com (merecido) status de mestre nas páginas da Le Film Français.