‘Los Silencios’, com Enrique Diaz, integra a seleção da Quinzena de Cannes

‘Los Silencios’, com Enrique Diaz, integra a seleção da Quinzena de Cannes

Rodrigo Fonseca

17 Abril 2018 | 10h42

Cena de “Los Silencios”, de Beatriz Seigner (foto de Juliana Vasconcelos)

Rodrigo Fonseca
Falta filme latino-americano na seleção oficial do 71º Festival de Cannes (8 a 19 de maio), mas, já na Quinzena dos Realizadores, a diretora Beatriz Seigner garantiu um puxadinho para o Brasil e para nossos hermanos Peru e Colômbia, com Los Silencios. Depois de estrear na direção com o delicadíssimo Bollywood Dream – O Sonho Bollywoodiano (2010), totalmente rodado na Índia, a cineasta lança na Croisette sua nova ficção, filmada na fronteira entre Brasil, Peru e Colômbia. O longa conta a história de Amparo (Marleyda Soto), mãe de dois filhos pequenos, que reencontra o pai das crianças (papel de Enrique Diaz, de O Mecanismo) vivendo numa ilha repleta de casas de palafitas no meio do Rio Amazonas. Há ainda um curta nacional: O Órfão, de Carolina Marcowicz. Evento paralelo à disputa pela Palma dourada, a mostra, que este ano começa no dia 9, comporta apenas premiações paralelas (prêmios de sindicatos de técnicos cinematográficos, de cineclubes, de críticos), porém é organizada a partir de um critério de seleção tão rígido que concede prestígio imediato (e a atenção do mercado exibidor) a seus participantes. O Brasil já emplacou uma série de cults por lá, como A Alegria (2010), Abismo Prateado (2011), Nada (2017).

Como atração de abertura, a Quinzena escolheu o novo longa do colombiano Ciro Guerra (de O Abraço da Serpente), de novo ligado a questões ameríndias: Pássaros de Verão, codirigido por Cristina Gallego, e focado no tráfico latino dos anos 1980. Vale atenção no cardápio do evento a escolha de um curta dirigido pelo mestre italiano Marco Bellocchio: La Lotta. Destaca-se ainda a presença de Mandy, um thriller com Nicolas Cage, já badalado em Sundance, sobre a caça a uma seita religiosa. A direção é assinada por Panos Cosmatos, filho do mestre dos filmes de ação George Pan Cosmatos (Stallone Cobra). E, para o deleite dos fãs de animes, entrou um trabalho inédito do diretor japonês Mamoru Osoda: Mirai of the Future, sobre um garotinho que, em crise de ciúmes por conta da chegada de uma irmãzinha, consegue viajar no tempo.

“Mirai of the Future”: japanimation

A seleção de longas da Quinzena:
“Pajaros De Verano” (“Birds Of Passage”), Cristina Gallego, Ciro Guerra
“Amin,” Philippe Faucon
“Climax,” Gaspar Noé
“Carmen y Lola,” Arantxa Echevarria
“Comprame un Revolver,” Julio Hernandez Cordon
“Les Confins du Monde,” Guillaume Nicloux
“El Motoarrebatador,” Agustin Toscano
“En Liberté,” Pierre Salvadori
“Joueurs,” Marie Monge
“Leave No Trace,” Debra Granik
“Los Silencios,” Beatriz Seigner
“Ming Wang Xing Shi Ke De,” Ming Zhang
“Mandy,” Panos Cosmatos
“Mirai,” Mamoru Hosoda
“Le Monde Est a Toi,” Romain Gavras
“Petra,” Jaime Rosales
“Samouni Road,” Stefano Savona

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Estima-se que nesta quinta-feira Cannes vá anunciar mais uma fornada de títulos da mostra Un Certain Regard e da seleção oficial em luta pela Palma. O pacote deve incluir uma produção nacional (OverGod, de Gabriel Mascaro, é o mais cotado). Cannes será aberto por Todos Lo Saben, do iraniano Asghar Farhadi, com Ricardo Darín, Penélope Cruz e Javier Bardem. Quem preside o júri oficial é a atriz australiana Cate Blanchett (Carol). O filme brasileiro O Grande Circo Místico será exibido no festival francês em homenagem ao conjunto da obra do diretor Cacá Diegues.