Livro explora excentricidades de Paul Thomas Anderson

Livro explora excentricidades de Paul Thomas Anderson

Rodrigo Fonseca

19 Junho 2017 | 09h14

RODRIGO FONSECA
Previsto para chegar aos cinemas americanos no Natal, Phantom Thread, drama sobre um estilista britânico dos anos 1950 incumbido de desenhar toda uma coleção só para a Família Real, vai marcar à volta de Paul Thomas Anderson – maior dos diretores indie revelados nos anos 1990 – aos sets, e de novo ao lado de Daniel Day-Lewis, com quem ele rodou a obra-prima Sangue Negro, há dez anos. Enquanto o filme não chega, e só o que nos resta do genial cineasta são os recentes clipes do Radiohead que ele lançou no ano passado, uma forma de matar as saudades de sua estética autoral é lendo sobre ela no indispensável livro da coleção Contemporary Film Directors, batizado com o nome do realizador de Magnólia (1999) e escrito por George Toles para a University of Illinois Press (www.press.uillinois.edu). Cada trecho das quase 220 páginas de Paul Thomas Anderson explora o encantamento do cineasta por figuras masculinas (sempre elas) em vias de alguma jornada emergente, seja em âmbito social, econômico ou de autodescoberta, na qual colidem contra algum obstáculo que aparam as arestas de sua grandeza quase épica. O processo desse “aparar”, contudo, é violento. E, na análise de Toles, essas jornadas, em sua filmografia, nascem realistas – a partir dos apostadores de Jogada de Risco, de 1996 – e caminham para o alegórico a partir de Embriagado de Amor (2002), pelo qual ele ganha o prêmio de melhor diretor em Cannes. O escritor, professor da Universidade de Manitoba, detalha, com um molho investigativo, todas as excentricidades de PTA nos sets, a começar por seu detalhismo histérico nos filmes de reconstituição de época (aos quais se dedica há uma década), sempre preocupado em explorar o espaço físico e geopolítico à sua volta. O livro reflete ainda sobre as escolhas artísticas de seu biografado sob um prisma industrial, tentando entender as opções que o levaram a sair de um tipo de narrativa mais “aberta”, com uma centelha massificada, como é o caso de Boogie Nights (1997), para um storytelling intimista e aberto a múltiplas interpretações como Vício Inerente (2014), sem perder a essência do risco. É, portanto, um livro sobre escolhas, a partir de um artista que se assemelha a seus personagens em seu isolamento (não se trata de um diretor de patotas, de oba-oba midiático) e na aposta que faz no limite entre o lírico e o mítico. Taí uma leitura de respeito, que editoras nacionais como a Cia das Letras deveriam nos oferecer na língua portuguesa.       


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