‘Le Filles du Soleil’, uma Palma feminista… e feminina… e linda

‘Le Filles du Soleil’, uma Palma feminista… e feminina… e linda

Rodrigo Fonseca

12 Maio 2018 | 22h44

Golshifteh Farahani tem atuação exemplar como líder de uma célula de resistência feminina do Curdistão em “Les Filles du Soleil”

Rodrigo Fonseca
Num sábado inesquecível para Cannes, no qual Jean-Luc Godard deu entrevista via facetime, a competição oficial do festival foi dominada por um drama de tônus feminino e feminista de DNA francês: Les Filles du Soleil, cuja diretora é a atriz Eva Husson. Sua exibição coincidiu com um protesto de mulheres no tapete vermelho em prol de igualdade salarial e do fim do assédio. O longa pode dar às atrizes Golshifteh Farahani (de Paterson) e Emmanuelle Bercot (de Meu Rei) um prêmio duplo de melhor interpretação. Na trama, uma repórter europeia documenta a luta de um esquadrão de guerreiras do Curdistão, tendo a atormentada Bahar (papel de Golshifteh, executado com brilho) como sua líder. Na prática, os melhores longas da disputa da Croisette até agora são Cold War, da Polônia, e Leto, da Rússia. Mas se Eva ganhar, a Palma não será injusta: é um filme necessário politicamente, sólido esteticamente, e lindo em sua contemplação da perseverança delas… as mulheres.