Lara Croft volta em montagem frenética

Lara Croft volta em montagem frenética

Rodrigo Fonseca

16 Março 2018 | 19h20

Rodrigo Fonseca
Construído como uma narrativa de formação, com um ritmo febril de viradas e ciladas para sua protagonista, Tomb Raider: A Origem impressiona (e muito) pela habilidade de mascarar o gosto de “mais do mesmo” de clichês surrados, reciclando situações vistas na franquia Indiana Jones (1981-2007) e em As Minas do Rei Salomão (1985) e repaginando a heroína de games criada em 1996 para a Eidos Interactive. É claro que o talento da sueca Alicia Amanda Vikander pesa, sobretudo no esforço de tirar da personagem qualquer ranço de truculência que tenha ficado de sua encarnação cinematográfica anterior, com Angelina Jolie. A nova Lara Croft é um poço de virtudes, mas estas estão mais próximas da verossimilhança. Porém, o principal mérito do longa-metragem, que segue os esforços da moça para impedir que uma maldição se propague pela terra (a partir das ações criminosas de uma empresa fantasma), está na montagem. A alta voltagem do filme é fruto do esmerado trabalho de edição, cujo principal responsável é um mítico montador de Hollywood: o inglês Stuart Baird. Graças a ele e à sua esquipe (formada por Tom Harrison-Read Michael Tronick), os planos dirigidos pelo norueguês Roar Uthaug (de Presos no Gelo) ganham cadência de montanha-russa. Na ativa desde 1973, tendo dirigido pérolas como U.S. Marshals – Os Federais (1998), Baird montou 34 filmes, incluindo sucessos como Superman: O Filme (1978) e Máquina Mortífera (1987). É da natureza dele encontrarmos sequências de alto em que o foco está mais no espaço (na altura) do que no corpo que pulo. Ele dá ênfase a truques de script nos quais alguma revelação é feita a partir de um detalhe mínimo de cena. Até nas cenas nas quais a estrela maior é um arco (e flecha), numa referência nítida a Rambo II: A Missão (1985), a mão de Midas de Baird, nos controles da ilha de edição, disfarçam o decalque que o longa de Uthaug faz do clássico com Stallone.
Vale ainda um aplauso para o trabalho do ator Dominic West (destaque do controverso The Square: A Arte da Discórdia) no papel do pai de Lara. Outrora careteiro, ele vem refinando cada vez mais seu gestual.