Kore-Eda em momento Hitchcock

Kore-Eda em momento Hitchcock

Rodrigo Fonseca

10 Abril 2018 | 18h05

O prolífico cineasta japonês troca lágrimas por sustos no suspense “O Terceiro Assassinato”: debate nesta segunda em Niterói, no Reserva

Rodrigo Fonseca
É difícil haver uma linhagem de diretores mais prolífica do que a japonesa, e, entre os mais produtivos, daqueles que aprontam um filme (ou até dois) por ano, como Naomi Kawase, Takashi Miike e Kiyoshi Kurosawa, poucos têm um prestígio similar ao de Hirokazu Kore-eda. Celebrizado como realizador por melodramas familiares tipo Pais & Filhos (2013) e Ninguém Pode Saber (2004), o cineasta nipônico tem um projeto zero KM para apresentar ao 71º Festival de Cannes (8 a 19 de maio), que anuncia seus concorrentes nesta quinta. A aposta dele para uma vaga na Croisette este ano se chama Shoplifters e é uma comédia sobre um clã de trambiqueiros que adota um guri sem lar. Mas enquanto este novo projeto não vem, ele prepara o lançamento de O Terceiro Assassinato (Sandome no satsujin), um thriller que deixou â flore da pele os nervos dos festivais de Veneza e de San Sebastián por serguir uma rota radicalmente distinta do estilo afetivo do diretor: é um suspense judicial com mortes, várias viradas bruscas e um heroísmo policial empolgante e catártico. Tudo isso faz parte dos 125 sombrios minutos desta trama de tribunal que fez gente nas plateias das mostras europeias gritarem e pularem na poltrona de susto, com o assombro causado pela montagem.

Há um eixo central na obra de Kore-Eda: “Meu cinema fala sobre o poder da escolha e o efeito que ela causa, não importa em que circunstância”, disse ele em San Sebastián. Esse eixo estético temático vai ser debatido na próxima segunda-feira, dia 16, às 20h30, no cine Reserva Cultural, de Niterói, por integrantes da Associação de Críticos de Cinema do Rio de Janeiro (ACC-RJ) e pela diretora teatral Livs Ataíde. Na trama do longa-metragem, o renomado advogado Shigemori (Masaharu Fukuyama, ótimo) é escalado para um caso dado como perdido: o ex-presidiário Nisumi (Kôji Yakusho) é acusado de um novo crime, um assassinato seguido de roubo, o que pode lhe custar a pena de morte. Tudo leva a crer que foi ele. Mas há algo no depoimento dele que leva Shigemori a suspeitar de sua inocência, o que rende, na tela grande, uma ciranda de reviravoltas.