Kore-eda e seu cinema-merthiolate em Cannes

Kore-eda e seu cinema-merthiolate em Cannes

Rodrigo Fonseca

14 Maio 2018 | 06h33

Clã de malandros reunido no melodrama com tons cômicos “Shoplifters”

Rodrigo Fonseca
Melodrama merthiolate – ou seja, arde pra curar – o cinema do japonês Hirokazu Kore-eda raro alcança a transcendência poética, mas nunca desaponta em competência: é feijão com arroz no cardápio de iguarias de um festival como Cannes, porém nutre o espírito com sua vitamina da observação de costumes. Dono de uma das carreiras mais prolíficas da Ásia nas telas, ele está em cartaz no Brasil com O Terceiro Assassinato e já chega à Croisete com um filme novo (e redondinho): Shoplifters. Sem a mesma tessitura narrativa de Pais e Filhos (Prêmio do Júri cannoise em 2013) ou do clima de mistério de Ninguém Pode Saber (2004), ele vem agora com uma comédia de peripécias atropelada por uma situação dramática ligada a um de seus temas mais recorrentes: a escolha. Na trama, uma família de trambiqueiros que vive de golpes se vê obrigada a adotar uma garotinha, numa decisão que há de deflagrar viradas inusitadas na paz daquele clã. O desempenho do ator Lily Franky no papel do patriarca é exemplar. Até agora, Cold War e 3 Faces seguem sendo os melhores da briga pela Palma de Ouro.
Esta noite, Cannes confere seu mais esperado concorrente: BlackKklansman, de Spike Lee.