Kitano volta com sede de sangue em ‘Outrage Final Chapter’

Kitano volta com sede de sangue em ‘Outrage Final Chapter’

Rodrigo Fonseca

29 Agosto 2017 | 19h39

Takeshi Kitano (à direita) encara a Morte em Outrage Final Chapter, que estreia em outubro encerrando uma popular trilogia

Rodrigo Fonseca
Está marcada para 7 de outubro, em parte expressiva do parque exibidor da Ásia, a estreia de Outrage Final Chapter, com o qual o cineasta, apresentador da TV japonesa e ícone pop Takeshi Kitano encerra a trilogia Ultraje, uma das mais violentas incursões do audiovisual no universo da máfia. A cinessérie começou em 2010, quando disputou a Palma de Ouro. Com litros e litros de sangue derramado, a produção segue o rastro de mortes deixado por Otomo (Kitano), um dos “gerentes” de uma célula da Yakuza envolvida numa disputa de poder com quadrilhas rivais. No filme anterior, Outrage Beyond, de 2012, ele terminava ferido. Mas, de volta à batalha, vai arrancar as cabeças de todos os que limitarem seu raio de ação num Japão infestado pelo crime. Estima-se que outro grande diretor nipônico (e também bamba na arte de representar agressões) Takashi Miike (de 13 Assassinos) faz uma participação no elenco.

Com um domínio plástico invejável da brutalidade, a filmografia de Kitano como realizador é marcada por exercícios de flerte com a violência, tipo Adrenalina Máxima (1993). Ganhador do Leão de Ouro do Festival de Veneza por Hana-Bi – Fogos de Artifício (sua obra-prima), em 1997, Kitano estreou no cinema só atuando, em 1980, e, nove anos depois, começou a filmar. Conquistou prêmios nos mais prestigiados eventos cinematográficos do ano, tendo concorrido à Palma de Cannes ainda em 1999, com Verão Feliz. Este ano ele foi visto atuando na subestimada sci-fi A Vigilante do Amanhã – Ghost in the Shell, como o chefe de Scarlett Johansson.