Juliusz Machukski põe o CCBB no corredor polonês da graça

Juliusz Machukski põe o CCBB no corredor polonês da graça

Rodrigo Fonseca

04 Agosto 2017 | 12h18

Terrir dos mais ácidos, “Canção de Ninar” sintetiza a estética de Juliusz Machukski, artesão polonês do riso

Rodrigo Fonseca
Espécie de cronista do degelo governamental socialista na Polônia, preocupado com as trocas simbólicas entre o Ocidente e o Oriente, atento a diferentes formatos de gênero capazes de agregar alta voltagem ao riso, Juliusz Machukski, cineasta e roteirista dono de quatro décadas de cinema nas costas, está no Rio de Janeiro para compartilhar suas manhas de fazer rir com o público do CCBB-RJ. Até o dia 13, o Centro Cultural Banco do Brasil faz uma radiografia dos filmes de maior sucesso deste ás europeu da ironia. No pacote estão com destaque para cults como Vinci, um thriller cômico sobre roubo de obras de arte com projeção neste sábado, às 15h. Logo após a exibição, Machukski explica como era fazer filmes numa realidade polonesa de Cortina de Ferro e como é filmar por lá nestes nossos dias, em que o país dele vive uma renovação audiovisual. Se não bastasse o oscarizado Ida (2014), vieram de lá joias como Body (2015), Estados Unidos Pelo Amor (2016) e o recente Spoor, premiado na Berlinale deste ano. Carregada de ecos políticos, a retrospectiva deste artesão do deboche foi organizada sob a curadoria da historiadora de arte Ewa Zukrowska, e contempla pérolas como o terrir Canção de Ninar (2010), que será exibido no domingo, às 16h. O diamante do evento é Sexmissão (dia 12, 19h), um fenômeno de bilheteria de 1983, retratando um futuro no qual os homens evaporaram da Terra.