‘Ilha de Cachorros’ late alto na bilheteria dos EUA

‘Ilha de Cachorros’ late alto na bilheteria dos EUA

Rodrigo Fonseca

15 Abril 2018 | 14h41

Rodrigo Fonseca
Sensação do último Festival de Berlim, a aventura animada Ilha de Cachorros, de Wes Anderson, fez barulho nas bilheterias americanas neste fim de semana, ao expandir seu circuito: num fim de semana dominado pelos monstros de Rampage – Destruição Total, o novo longa-metragem do cineasta texano arrecadou cerca de US$ 18 milhões. A produção deu a ele o Urso de Prata de melhor direção na capital alemã.  A estreia no Brasil será em 14 de junho.
Resultado de uma inusitada mistura da estética animada de Hayao Miyzaki (diretor de A Viagem de Chihiro) com os épicos de samurai de Akira Kurosawa, a narrativa de Isle of Dogs (título original) acompanha os esforços do menino Atari para salvar seu mascote, Spot (dublado por Liev Schreiber, astro da série Ray Donovan), de um depósito para cães. O local é uma espécie de lixão a céu aberto, cheio de ratos e vermes. O principal auxílio de Atari será um bando de cães que, um dia, tiveram um passado feliz, interpretados nas vozes de Edward NortonJeff Goldblum Bill Murray. Estes dois últimos foram a Berlim ao lado da atriz Greta Gerwig (atualmente na peleja pelo Oscar de melhor direção com Lady Bird) e o cultuado ator Bryan Cranston, o Walter White do seriado Breaking Bad. Ela vive uma ativista pró-animais eCranston encarna um vira-lata bravo, solitário feito os ronins de Toshiro Mifune, que acaba virando o herói do filme de Wes.

“Comecei a estudar a animação japonesa, sobretudo o trabalho de Miyazaki quando fui fazer O Fantástico Senhor Raposo, há quase dez anos, e aprendi a valorizar o uso de maquetes, moldes e bonecos em vez de usar recursos digitais. Quase não existe CGI (Computer Generated Imagery, um recurso de reprodução virtual de cenários e gestos) neste filme. Quando entra a computação gráfica, ela está mesclada com técnicas mais artesanais. Isso é algo fundamental quando se trabalha com o stop motion (técnica na qual objetos são animados quadro a quadro, dando um efeito de movimento), que é um processo mais tradicional”, diz o cineasta de 48 anos na projeção alemã.

Classificado com elogios sui generis como “fofo” e “delicioso” em papos de corredor do Berlinale Palast, o centro de exibições do evento, Ilha de Cachorros entrou no festival em disputa pelo Urso de Ouro, encarando um rol de competidores de alto quilate. Touch Me Not, da romena Adina Pintilie, ganhou o troféu principal.