Hoje na TV, ‘Loving’ expõe as cores do racismo

Hoje na TV, ‘Loving’ expõe as cores do racismo

Rodrigo Fonseca

07 Dezembro 2017 | 10h40

O casal interracial de “Loving”, nesta quinta no Telecine Cult: Ruth Negga e Joel Edgerton no colo da intolerância


Rodrigo Fonseca
Dor é a língua com que os olhos de Ruth Negga se expressam a cada quadro de Loving, um dos mais vigorosos painéis da intolerância racial levados às telas, nos EUA, nestes anos 2010, tendo Jeff Nichols (de O Abrigo) como seu realizador. Mesmo indicada ao Oscar (de melhor atrás, em um necessário reconhecimento do talento de Ruth), esta produção de US$ 9 milhões sofreu com a desatenção dos espectadores americanos e não teve vaga no circuito exibidor brasileiro – o que aponta algo de muito político. Mas esta tarde, este filmaço vai ganhar um recanto carinhoso na grade da Rede Telecine, com projeção às 13h30, no canal Cult. Sua estreia mundial se deu na disputa pela Palma de Ouro no Festival de Cannes de 2016, onde arrancou gritos de “Bravo!” do público da Croisette.

Drama de época, baseado em fatos reais, o longa-metragem recria o drama de Mildred e Richard Loving (Ruth e Joel Edgerton, igualmente possante), um casal interracial expulso de sua cidade por ordem judicial em função do preconceito por ela ser negra e ele, branco. No ano passado, a seleção do filme para a briga pela Palma dourada foi encarada (e muito bem vista) pela imprensa europeia como uma tomada de posição de Cannes em relação aos debates sobre exclusão de raças no cinema a reboque da ausência de atores afrodescendentes no Oscar 2016.

O casal Loving na vida real

Embora tenha uma narrativa mais clássica (ou melhor, conservadora) do que a dos longas anteriores de Nichols, o belo Loving ampliou o prestígio do cineasta no Velho Mundo, onde ele virou um darling da autoralidade, elogiado por exercícios poéticos como Amor Bandido (2012). O longa anterior dele, o sci-fi Midnight Special, também com Edgerton, foi indicado ao Urso de Ouro no Festival de Berlim do ano passado. Seu flerte agora com o melodrama (feito de modo seco e épico) evocou comparações com cults do cinema independente americano dos anos 1970, como Conrack (1974), de Martin Ritt. Na Croisette, Nichols é visto como um herdeiro da linhagem que revelou Francis Ford Coppola, Martin Scorsese e Steven Spielberg.