E o Brasil vai animar o Oscar

E o Brasil vai animar o Oscar

Rodrigo Fonseca

14 Janeiro 2016 | 12h56

“O Menino e o Mundo” leva poesia ao prêmio de Hollywood

Vai ser difícil falar com Alê Abreu hoje, não apenas por ele estar no exterior e não usar celular mas pelo fato de que, nesta quinta-feira, ele teve seu segundo longa-metragem, a aula de poesia chamada O Menino e o Mundo, indicada ao Oscar de melhor animação, credenciando o Brasil a disputar a estatueta animada mais cobiçada de todo o planeta. Vencedor do Festival de Annecy, considerado a Cannes do setor de animação, em 2014, o cineasta paulista entrou para o rol seleto de brasileiros a terem vez aos olhos da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood, com o detalhe de ter vindo não com um projeto comercial, de milhões de dólares, e sim com uma narrativa personalíssima, no qual o lirismo é a única lei vigente. Há alguns meses, o diretor conversou com a gente sobre seus passos e disse: “Estou na pré-produção de meu novo longa, Viajantes do Bosque Encantado, sobre duas crianças-bicho perdidas em uma floresta onde acontecem coisas estranhas relacionadas com OVNIS, guerras e seres encantados”, explicou o cineasta, à cata de uma coprodução europeia via França e Luxemburgo. “Tem outras coisas acontecendo, como a série Vivi Viravento, em produção pela Mixer e a série de O Menino e o Mundo em desenvolvimento na França, por um notório produtor de animação de lá”.

“Há muito tempo se especula que o primeiro Oscar brasileiro seria para um animador, por o setor representar o que há de mais significativo no audiovisual brasileiro, e Alê conseguiu evidenciar prum mundo de gente que torcia o nariz pra nós a força dessa arte que é animar. Esse reconhecimento vir de um prêmio de indústria, como o Oscar, é ainda mais devastador”, comemora o cineasta Marão, integrante da Associação Brasileira de Cinema de Animação (ABCA). “O Menino e o Mundo já recebeu mais de 40 prêmios pelo mundo”.

“Mad Max: Estrada da Fúria”: dez indicações

Vimos ainda a correção de uma injustiça histórica com a indicação de Sylvester Stallone ao Oscar de melhor ator coadjuvante pelo devastador Creed: Nascido para Lutar, de Ryan Coogler. E, para melhorar a vida, Mad Max: Estrada da Fúria, um filme de ação, o gênero mais espezinhado do cinema, alcança dez indicações. O título mais indicado é O Regresso, do mexicano Alejandro González Iñárritu, disputando láureas em 12 frentes, com fôlego para dar a Leonardo DiCaprio o troféu que ele merecia ter ganho lá atrás, por O Aviador (2004). A América Latina entrou no páreo dos filmes estrangeiros com O Abraço da Serpente, experiência metafísica que mostra o quanto a Colômbia está crescendo nas artes da imagem. É dia de festa.