‘duo SOBRE DESVIOS’ encena a arte de (saber) perder

‘duo SOBRE DESVIOS’ encena a arte de (saber) perder

Rodrigo Fonseca

27 Agosto 2017 | 13h43

Cadu Cinelli e Fabricio Moser brincam jogam com o hipopótamo do abandono em “duo SOBRE DESVIOS” hoje nos palcos cariocas (divulgação/ Ricardo Martins)

Rodrigo Fonseca
Parque Shanghai de emoções, indo de uma roda gigante de incertezas até uma casa dos espelhos de desatenções, duo SOBRE DESVIOS é uma catarse de nossa perdas mais microscópicas travestida de peça de teatro, que se despede hoje dos palcos do Rio de Janeiro neste domingo, com uma apresentação (com cálice de vinho e mimos etílicos afins) às 19h30, na Sala Baden Powell. O que Cadu Cinelli e Fabricio Moser nos dão – brincando com memórias do “comportamento humano” de Björk, do artista plástico Leonilson e da poesia de Bartolomeu Campos de Queiroz – significa mais como pesquisa (física e textual), como busca, do que como dramaturgia definitiva. É um jogral (com a gente) sobre o abandono em suas múltiplas formas. Isso compreende um pingue-pongue entre os dois que envolvem situações encenadas, relatos pessoais, inventários de cicatrizes (na forma de objetos largados entre eles ou abandonados por espectadores em outras apresentações). O censo que se produz a partir destes dados de afeto é uma estatística catártica sobre estratégias de sobrevivência, traduzida como uma brincadeira de inventar saídas para o labirinto da solidão. O trabalho corporal de ambos desenha no palco uma ciranda de hipóteses de encontro nos desencontros da pressa cotidiana.