‘Dominó’ é o novo filme de Brian De Palma

‘Dominó’ é o novo filme de Brian De Palma

Rodrigo Fonseca

06 Março 2018 | 14h52

Nikolaj Coster-Waldau estrela o longa novo de Brian De Palma: “Dominó”

Rodrigo Fonseca
Tem Brian De Palma novo saindo do forno: Dominó é uma das apostas para o Festival de Cannes.71 (8 a 19 de maio), que divulgará seus concorrentes em abril. Cultuado como um mito do assombro entre diretores de diferentes gerações e nacionalidades, De Palma comanda uma produção dinamarquesa estrelada por Nikolaj Coster-Waldau (o Jaime Lannister, de Game of Thrones). O astro interpreta um tira às voltas com o desejo de se vingar da morte de sua parceria.O trabalho mais recente do mestre do suspense, Pasion, está inédito desde 2012.

A última visita do cineasta ao festival francês foi há cinco anos. O P de Pop registrou o episódio num texto da revista Tabu, em 2015. Assim:
Refugiado no calor de um casaco cáqui de lona, usando um bonezinho desbotado para cobrir a careca e disfarçar o olhar, sempre voltado para o chão como quem conta passos, Brian Russell De Palma se movia à sombra invisível da timidez, por entre as fileiras do Palácio dos Festivais de Cannes, em meio à disputa pela Palma de Ouro. Não tinha longas-metragens em exibição, nem estava competindo e, tampouco, buscava participar de rodadas de negócio para financiar um drama esportivo com Al Pacino que acabou engavetado. O diretor de Vestida para matar (1980) estava na Croisette apenas para se divertir. “I’m just watching films”, dizia, na lata, aos que o interpelavam à cata de uma entrevista ou de um autógrafo. Era na condição de cinéfilo que o mais hitchcockiano dos artesões do suspense batia seu ponto em Cannes, comportando-se, por vezes, de modo rude.

Largou a sessão de Only God Forgives, de Nicolas Winding Refn, com apenas 30 e poucos minutos, ao ver Ryan Gosling quebrar um copo de uísque na cara de um tailandês. Também reagiu com certa impaciência à sua viagem a Nebraska de carona no preto & branco de Alexander Payne. Só parecia em estágio de entusiasmo, a ponto de deixar uma lagriminha escorrer pela barba hirsuta, próximo do nariz de batata doce, numa sessão, a de O Passado, drama do iraniano Asghar Farhadi, ambientado em Paris, ao ver Bérénice Bejo se bater com o ex-marido do Oriente Médio em nome do amor bagaceiro pelo namorado árabe. Ali, frente à dor de um amálgama de culturas, o filho de cirurgião que estudou Física nos anos 1960, enquanto rodava seus curtas-metragens (Icarus é o primeiro dos sete que filmou), emocionou-se frente à potência de um roteiro capaz de usar a palavra como catalisador de tragédias ou de horrores. O segundo substantivo virou sua especialidade.