Dez promessas de bom cinema para 2016

Dez promessas de bom cinema para 2016

Rodrigo Fonseca

04 Janeiro 2016 | 18h59

Pouco ou quase nada se sabe sobre os filmes a seguir, mas, a julgar pelas credenciais de seus realizadores – mesmo aqueles que só fizeram cinema em funções paralelas à direção -, muito pode se esperar desta seleta de produções.

 

“The Comunne”

  1. American Pastoral, de Ewan McGregor: Revelado nos primeiros (e anárquicos) filmes de Danny Boyle, o astro escocês que desafiou o sabre de luz de Darth Vader sob o manto de Obi-Wan Kenoni lança este ano seu primeiro longa como realizador. Com base na prosa de Philip Roth, o longa recria a América do pós-guerra sob a ótica de um homem, Seymour Swede Levov, cuja família se despedaça por conta das posições políticas de sua filha. McGregor dirige e atua, ao lado de Jennifer Connely, Dakota Fanning, David Strathairn e Uzo Aduba.

 

  1. Fotografia de Família, de Cristian Mungiu: Pilar da chamada Primavera Romena, a leva de filmes que repaginou o lugar da Romênia na história do audiovisual, com obras hipernaturalistas, abertas ao humor negra, o ganhador da Palma de Ouro de 2007, por 4 Meses, 3 Semanas e 2 Dias prepara sua volta à telona com uma história sobre paternidade. Com base sua própria experiência, ele narra a relação de um médico com seu filho, levando em conta o quanto suas atitudes podem servir de modelo a sua prole. A trama se passa numa pequena vila, onde todos se conhecem. Mas apesar de toda a familiaridade entre seus habitantes, alguns segredos deles podem vir à tona e surpreender a todos. É uma das apostas para o 69º Festival de Cannes, em maio.
  1. The Commune, de Thomas Vinterberg: Quatro anos depois de A Caça (2012), filme que lhe devolveu um prestígio similar ao adquirido (e imediatamente perdido) por Festa de Família (1998), o dinamarquês Thomas Vinterberg ganhou uma baba do Media Prize, dado pela Comissão Cultural da União Europeia para levantar potenciais sucessos de verve autoral. Com cerca de 60 mil euros na mão, o cineasta recriou a Escandinávia dos anos 1970 inspirando-se numa história vivida por sua própria mãe. O longa acompanha os contratempos de um grupo de pessoas que optou por viver numa comunidade, celebrando o amor livre. A produção é uma das apostas para o 66º Festival de Berlim, que vai de 11 a 22 de fevereiro.

https://www.youtube.com/watch?v=fu1cYG6haLI

“Animal Político”, de Tião

  1. Animal Político, de Tião. É um dos sete títulos concorrentes da seção Aurora da 19ª Mostra de Cinema de Tiradentes, que vai de 22 a 30 de janeiro, e chama a atenção desde já por conta de todo o histórico do jovem cineasta pernambucano, celebrado em Cannes por curtas como O Muro (2008). A sinopse instiga: “Uma vaca tenta se convencer de que é feliz. Ela vive entre as pessoas e tem uma vida vazia e consumista. Numa noite de véspera de Natal, a vaca confronta-se com uma sensação estranha de vazio, algo forte que ela nunca havia vivido. Essa crise a faz começar uma jornada por iluminação, em busca do seu verdadeiro eu”. Por aí vamos…

 

  1. La Region Salvaje, de Amat Escalante: Três anos depois ter sido sagrado melhor diretor em Cannes pelo favela movie Heli, o realizador mais radical do México volta às telas com uma produção filmada em Guanajuato que mistura fatos reais do cotidiano de seu país com elementos fantásticos. Trata-se de uma releitura sci-fi da vida na América Latina, calcada no surrealismo e pontuada pela violência.

 

  1. Redemoinho, de José Luiz Villamarim: Realizador de trabalhos primorosos na direção de teledramaturgia, como O Rebu e Amores Roubados, o cineasta mineiro saca da literatura de Luiz Ruffato um “inferno provisório” de acertos de contas entre amigos, tendo Walter Carvalho no leme da fotografia. Irandhir Santos, Julio Andrade e Cássia Kis Magro encabeçam o elenco. O roteiro é de George Moura, o mesmo de Linha de Passe (2008). Produção da Bananeira Filmes, que deve bombar este ano também com O Filme da Minha Vida, de Selton Mello, e Deserto, de Guilherme Weber.

 

  1. The Red Turtle, de Michael Dudok De Wit: Ganhador do Oscar de melhor curta-metragem de 2001 por Father and Daughter, um dos desenhos mais lúdicos da década passada, o cineasta holandês regressa aos cinemas com seu primeiro longa. Trata-se de um filme sem diálogos, sobre um náufrago perdido em uma ilha onde os animais são sua única companhia.

 

The Red Turtle

The Red Turtle

  1. Rester Vertical, de Alain Giraudie: Ganhador do prêmio de melhor diretor da seção Un Certain Regard de Cannes, em 2013, com Um Estranho no Lago, Giraudie regressa às telas propondo um road movie pela França profunda. A trama acompanha a crise criativa e afetiva de um cineasta, Léo (vivido por Damien Bonnard), que se embrenha país adentro à cata de paz e ideias.

 

  1. Et Derrière Moi Une Cage Vide, de Fanny Ardant: Musa de Truffaut, celebrizada como uma das atrizes mais belas do planeta, a estrela de A Mulher do Lado vem se firmando como uma realizadora de grande talento. Seu novo trabalho como cineasta transforma Gérard Depardieu em Josef Stalin e acompanha o ditador soviético nos anos 1950, em meio a um desabafo de suas crises existenciais. O pivô dessa autoanálise é a criação de uma estátua em honra de sua memória. A trama é baseada no romance “Le Divan de Staline”, de Jean-Daniel Baltassat. A atriz Emmanuelle Seigner também estará em cena.
  2. War Machine, de David Michôd: Cultuado como um expert na desilusão desde que rodou Reino Animal (2010), o realizador australiano se junta a Brad Pitt para uma sátira política acerca dos bastidores dos conflitos armados no Afeganistão. Projeto da grife NetFlix, o filme se concentra nas ações de um general famoso por seu histórico de mortes e na atuação de assessores responsáveis por trazer publicidade heroica aos feitos do oficial. Anthony Michael Hall e Topher Grace estão no elenco.

 

E a promessa das promessas:

Keoma Rises, de Enzo G. Castellari: Ainda não há uma data prevista, mas o realizador mais apimentado do spaghetti western, conhecido por Vou, Mato e Volto (1967) e Deus Criou o Homem e o Homem Criou o Colt (1968), prepara uma nova macarronada ressuscitando seu personagem mais famoso: o pistoleiro Keoma, encarnado por Franco Nero. E o anti-herói regressa na companhia de Bud Spancer. Precisa falar mais?

 

Vale ainda muita atenção para O Grande Circo Místico, de Cacá Diegues, The Nice Guys, de Shane Black, Elle, de Paul Verhoeven, e O Beijo no Asfalto, de Murilo Benício.

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