Crepúsculo da vaidade: ‘Good Time’ repagina Robert Pattinson

Crepúsculo da vaidade: ‘Good Time’ repagina Robert Pattinson

Rodrigo Fonseca

09 Agosto 2017 | 10h54

Rodrigo Fonseca
Depois de Cosmópolis (2012), Mapas para as Estrelas (2014) e Z: A Cidade Perdida (2017), o inglês Robert Pattinson não tinha nada mais a provar ao cinema acerca de seu esforço para deixar a imagem de vampiro de A Saga Crepúsculo e alçar rasantes mais ambiciosos por narrativas adultas. Mas aí chega Good Time, banho de descarrego que lava todo e qualquer encosto deixado por sua fase pipoca menos requintada. E, com esse filme, dos Safdie Bros. (os manos Josh e Benny), que entra em circuito nos EUA nesta sexta, ele passa, em definitivo, ao posto dos maiores atores de sua geração, aos 31 anos. Correndo disparado pelas ruas de Nova York, embalado pela trilha sonora do Oneohtrix Point Never (laureada em Cannes, onde concorreu à Palma de Ouro), ele dá vida – uma vida histérica, mas com algum senso moral – ao ladrão de bancos Connie, que, após um roubo frustrado, fará de tudo para salvar seu irmão, Nick (um papel confiado ao próprio Ben Safdie), portador de uma deficiência mental.

Robert Pattinson se despe das vaidades de galã para viver um ladrão de bancos de quinta categoria em “Good Time”

 Ao longo de uma hora e meia de câmera em epilepsia, os realizadores de Amor, Drogas e Nova York (2014) pedem licença à sua estética cassavetiana e investem na adrenalina, numa observação da imolação dos puderes de Pattinson em prol da construção de um papel antológico. Parece Depois de Horas (1985).