Chora, Cannes, que ‘Todos Lo Saben’ desaponta

Chora, Cannes, que ‘Todos Lo Saben’ desaponta

Rodrigo Fonseca

08 Maio 2018 | 18h02

Rodrigo Fonseca
Melodrama não é pra quem quer… é pra quem pode, e embora tenha A Separação (2011) e O Passado (2013) no currículo, o diretor iraniano Asghar Farhadi demonstrou não possuir uma das ferramentas centrais do filão – o aprofundamento dos conflitos internos dos personagens – no novelão do SBT Todos Lo Saben. Imagina o que é ter Penélope Cruz, Ricardo DarínJavier Bardem a seu dispor e, ainda, assim fazer algo aquém da potência dessas estrelas. Foi o que Cannes comprovou na abertura da edição n.71 de seu festival anual, nesta terça-feira, ao fim da projeção de um drama que prometia romper fronteiras e, no fim, terminou nas redes do folhetim. Parecia ser um dramalhão familiar sobre amores perdidos. Não é. Trata-se de um filme sobre um sequestro, no qual Penélope é subaproveitada e Darín tem um papel caricato. Apenas Bardem tem uma chance de brilhar, até porque, o personagem dele – dono de um minifúndio de uvas – carrega em si a contradição central do filme, ligada a uma esquemática e tardia visão da mais-valia. Bom… a fotografia é um deslumbre, mas…
Penélope vive na Argentina com o marido (Darín) e os filhos. Volta pra casa do pai, na Espanha, para um casamento. No local, sua filhota é sequestrada. Resta a um ex de juventude, Paco, vivido por Bardem, ajudar no resgate. Daí pra frente, basta ligar os pontos…
Cannes merecia um começo melhor.