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Cultura

Chanchada dos Coen abre a Berlinale com pouco aplauso, pouco riso mas muitas estrelas
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Rodrigo Fonseca

11 Fevereiro 2016 | 13h57

Josh Brolin vive Eddie Mannix, manda-chuva de Hollywood no novo longa-metragem de Joel e Ethan Coen

Josh Brolin vive Eddie Mannix, manda-chuva de Hollywood, no novo longa-metragem de Joel e Ethan Coen

Por embargo imposto pelo alto comando do 66° Festival de Berlim, ficam vetadas resenhas ou ensaios reflexivos sobre Ave, César!, dos manos Joel e Ethan Coen, até o fim da tarde, quando a chanchada sobre a Hollywood dos anos 1950 vat ter gala aqui na capital da Alemanha, inaugurando sua mostra de cinema anual. Okay… a gente controla a crise ulcerosa e troca impressoes depois (quando o amigo aqui estiver num teclado com acentos, cedilha e til). Mas pode ser adiantado o fato de que a imprensa recebeu o longa-metragem (de bilheteria mediana em sua estreia nos EUA na sexta passada; em cartaz aqui apenas em abril) com poucos aplausos e com gargalhadas esparsas. Riu-se mais na coletiva de imprensa digna de antologia, no qual uma jornalista mexicana deixou George Clooney (uma das estrelas desta producao de US$ 22 milhoes) no limite da irritabilidade ao confrontar o elenco e os realizadores acerca do quao importante anda sendo fazer filmes sobre refugiados. Tirando sarro dos colegas, o ator manteve alta a bola para os Coen cortarem, ao falar sobre o quanto a saga de desventuras de Eddie Mannix, executivo de estudios vivido por Josh Brolin, tem similaridades com o mundo real.

“Nao trabalhamos aqui com referenciais reais, com pessoas que fossem modelos para os personagens, calcados neste ou naquele ator do passado. Nem diria que seja um sinal de nostalgia, porque a estrutura industrial que se criou em Hollywood, no cinema, foi sempre tao azeitada que nem deixaria oportunidade para um olhar nostalgico”, explicou Joel Coen em Berlim.

No filme, Mannix tem que descobrir o paradeiro de seu astro rei, Baird Whitford (Clooney), raptado no intervalo de uma filmagem de uma superpoducao nos moldes de Ben-Hur sobre Roma e Jesus Cristo. Mas os problemas de Mannix incluem ainda um diretor insatisfeito (Ralph Fiennes), uma diva esquentada (Scarlett Johansson) e uma ordem de seus superiores para escalar um darling dos faroestes (papel de Alden Ehrenreich) como astro de um filme baseado em um sucesso da Broadway. O visual do longa ganhou o colorido inusitado do parceiro habitual dos Coen: o diretor de fotografia Roger Deakins.

“Chegamos numa fase, depois de tantos filmes juntos, na qual a melhor forma de trabalhar com Deakins consiste em seguir o que ele diz e nao fazer nada que possa a atrapalhar”, brincou Ethan.

Nesta sexta, a briga pelo Urso de Ouro de 2016 vai ser inaugurada com o drama tunisiano Heidi, de Mohamed Ben Attia, e com o sci-fi made in USA Midnight Special, do bamba Jeff Nichols. No mesmo dia, Anna Muylaert e Marcos Prado levam ao Panorama os longas Mãe Só Há Uma e Curumim.

p.s.: Saindo da sessäo dos Coen aqui na Berlinale, lembrei que um dos maiores estudiosos das tecnicas de roteiro deles, o professor Jose Carvalho, mestre dos mestres no assunto no Brasil, esta lecionando agora em SP. Basta sintonizar no site www.roteiraria.com.br. Fica na A. Paulista 726, no conjunto 1303. Mais do que um enciclopedismo na literatura e no cinema, Carvalho desperta nos estudantes um olhar afiado para o que existe de discurso por baixo de cada linha de um script. E os Coen para ele integram o rol de magos da escrita discursiva na cena hollywoodiana. Vale pesquisar e estudar.

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