Berlinale sob as asas de Wim Wenders

Berlinale sob as asas de Wim Wenders

Rodrigo Fonseca

15 Fevereiro 2018 | 12h57

“Asas do Desejo” (1987) regressa às telas

Rodrigo Fonseca
Um dos maiores cults do cinema europeu nos anos 1980, coroado com o prêmio de melhor direção em Cannes, o drama metafísico Asas do Desejo (Der Himmel über Berlin, 1987) vai comemorar tardiamente seu 30º aniversário nesta quinta, sob um frio de dois graus, com uma projeção de gala na Berlinale, numa versão inédita, restaurada em 4k. A sessão é às 20h, no CineStar. De lá, a edição digital do longa-metragem de Wim Wenders vai pro circuito, levando à tela grande a releitura tecnológica da aventura romântica de anjos às voltas com o querer. Bruno Ganz brilha sob a auréola do querubim Damiel. Foi da atuação dele que Hollywood pinçou a ideia de refilmar enredo pilotado por Wenders na forma de Cidade dos Anjos (1998), com Meg Ryan e Nicolas Cage.

Sucesso global de bilheteria, com direito a um show de Peter Falk em cena, Asas do Desejo entrou no evento alemão na seleção Berlinale Classics. Ao ladro dele entraram joias como Limite de Segurança (1964), de Sidney Lumet; Quando Voam as Cegonhas (1957), de Mikhail Kalatozov; e My 20th Century (1989), de Ildikó Enyedi, ganhadora do Urso dourado de 2017, com Corpo e Alma, hoje em disputa pelo Oscar de Melhor Filme Estrangeiro.

Esta noite, a Berlinale vai conferir a nova estripulia narrativa da sempre estimulante cineasta catalã Isabel Coixet: The Bookshop. Na trama, ambientada em Hardbourough, na costa da Inglaterra, nos anos 1950, Emily Mortimer é uma viúva destinada a espanar o luto de sua vida vendendo livros para gente sem hábito de ler… ou de sonhar. Pra melhorar, tem Bill Nighy em cena.

Esta manhã, antes de se deliciar com Ilha de Cachorros, a animação de Wes Anderson sobre um Japão distópico, a Berlinale tragou Grass, trabalho recente do sul-coreano Hong Sangsoo (de Você e os Seus). Onipresente nos grandes festivais de cinema do mundo, o diretor de Na Praia à Noite Sozinha (2017) testa os limites de sua estética palavrosa e glutona em mais uma narrativa rizomática, com a atriz Kim Minhee. Aqui uma jovem acusa um rapaz de ser o culpado pelo suicídio da irmã dela. A acusação é deixa para uma conversação sobre banalidade essenciais ao vazio da vida. O filme é parte da mostra Fórum.

Idris Elba instrui Aml Ameen no set de “Yardie”, em Londres

Para sexta, “a” aposta deste festival é Yardie, drama criminal escalado para a mostra Panorama. Um dos atores mais aclamados da atualidade, o inglês Idris Elba (de A Torre Negra) estreia na direção narrando o périplo de vingança de um jovem jamaicano que, numa “carreira” como traficante na Londres de 1983, tem a chance de uma revanche contra o homem que matou seu irmão.