Barbie do Trem Ruim, Annabelle volta sem gás às telas

Barbie do Trem Ruim, Annabelle volta sem gás às telas

Rodrigo Fonseca

18 Agosto 2017 | 00h53

Rodrigo Fonseca
Fios de conta tinham tudo para se embaralhar no pescoço dos que mergulham em Annabelle 2: A Criação do Mal à cata do mesmo arrepio que sua franquia matricial, a magistral série The Conjuring, é capaz de provocar, porém isso não acontece, pois o medo causado pela volta da Barbie do Tinhoso não compensa a expectativa. Mesmo com o artesão James Wan na produção, a segunda aventura da boneca satânica oriunda da grife Invocação do Mal (2013, 16) peca por irregularidades na direção de David F. Sandberg, agravadas por uma fotografia inapta a aproveitar a luz à sua volta. Botam breu onde a violência do Além precisa ficar perceptível e estouram na iluminação em pontos no qual um chairoscurozinho daria uma elegância das boas à narrativa. Salva-se o som, competente na hora de acentuar a tensão, graças à trilha sonora de Or Kribos. Mas por mais que a música acentue a sinestesia, esta demora a se fazer notar, dada a barriga inicial de quase 15 minutos de ensebação até as trevas soltarem seus encostos.

Anthony LaPaglia é um fazendeiro criador de cruzes, bonecas e da temida bate-palminha que veio das Trevas para abocanhar obesas bilheterias: US$ 90 milhões na venda de ingressos

Também faltou uma penteada (precedida de xampu e condicionador) no roteiro desta produção de US$ 15 milhões sobre a gênese do brinquedo Annabelle, cuja bilheteria global já beira US$ 99 milhões. O primeiro filme deste derivado de Invocação do Mal custou US$ 6,5 milhões e arrecadou US$ 256 milhões. Vamos ver até onde vai o fôlego dessa nova história, concentrada no mito de formação da vilã de resina, ligada à morte de uma menina no interior dos EUA. O pai da guria é um carpinteiro e bonequeiro vivido por um envelhecido Anthony LaPaglia. Sua mulher é encarnada por Miranda Otto (de Flores Raras). Doze anos após a perda da menina, eles acolhem um grupo de órfãs em sua fazenda. Mas, lá, uma garotinha vítima de pólio liberta as forças da Ruindade ao tirar Annabelle da caixa. 

A boneca alicia uma alma

Há cenas de inegável capricho, sobretudo aquelas que se concentram nos olhos da menina. Na direção, Sandberg (realizador de Quando as Luzes Se Apagam) é bom de metonímias. Mas quando abre o quadro, em demasia, ele se perde e não conseque disfarçar a precariedade dos efeitos especiais – nem as limitações de seu elenco. Dá pra curtir uns arrepios sazonais. Mas prometia mais. E não há muito o que se acrescente ao universo dos fetiches (objetos superpoderosos, como a tal boneca) ou aos filão das tramas sobrenaturais.

 Fica ligado que, no comecinho dos créditos de encerramento, tem cena extra (ou algo assim), mas é fraquiiiiinha. Se você por acaso tiver que encarar a versão brasileira da produção, vá sem medo, pois a dublagem é das melhores, com direito a Julio Chaves no gogó de LaPaglia e Luiz Persy como Mark Bramhall, o padre que aparece aqui e ali.