Auê nos palcos, com açúcar e afeto

Auê nos palcos, com açúcar e afeto

Rodrigo Fonseca

29 Janeiro 2016 | 10h33

Homens-hífens: a Barca dos Corações Partidos canta, toca, dança, recita e nos arrebata

Homens-hífens: a Barca dos Corações Partidos canta, toca, dança, recita e nos arrebata com um jogral cênico

Passados 15 anos desde a passagem de A Máquina, de João Falcão, pelos palcos do Rio, era difícil crer na passagem de uma outra narrativa igualmente (e potentemente) jogralesca, com véu de musical, passaria pela cena teatral contemporânea… mas passou, e ela se chama Auê. Da trova ao xaxado, do tecido acrobático à festa de rua, o espetáculo da Barca dos Corações Partidos – mesma de Gonzagão – A Lenda – navega pelo Espaço Sesc Copacabana até o dia 31 (domingo agora) remando por múltiplas linguagens tendo na música um oceano de experimentações e descobertas. No barco sete homens-hífens (ou seja: bailarinos-cantores-atores-músicos-compositores-showmen) dão músculo e pele a 21 canções originais que marejam o olhar ao investigar o imaginário romântico a partir de uma conexão de expressões nordestinas. No palco, Ádren Alves, Alfredo Del-Penho, Beto Lemos, Fabio Enriquez, Eduardo Rios, Renato Luciano e Ricca Barros encaram, ao longo de uma hora e 20 minutos, uma gincana cênica de guitarra, sax, flauta e bateria para narrar estratégias de como driblar o fio daquele objeto cortante chamado amor. O setlist é de um lirismo que parece verso de Anacreonte levado pro Sertão. Vale anotar a canção que diz “Me ama do jeito que eu sou”, útil para a vida a dois.

Um dos destaques do elenco, com seus trejeitos de cartum, é o (ótimo) cantor-ator Renato Luciano, visto como o mineirinho perseverante de Solidões, o segundo longa do menestrel Oswaldo Montenegro como realizador.

Com ecos armoriais, balanços de forró e ectoplama de ponto de Oxum, as músicas do espetáculo estão em depuração para virar um (necessário) CD, que a Barca tenta levantar a partir de um financiamento coletivo.

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