As pedidas do Festival do Rio para este feriado

As pedidas do Festival do Rio para este feriado

Rodrigo Fonseca

12 Outubro 2017 | 12h15

“Depois Daquela Montanha”: uma love story na vertigem interracial

Rodrigo Fonseca
Temos um feriado diante de nós nesta quinta, Dia das Crianças, e também o dia de rezar para Nossa Senhora da Aparecida. Porém também há um Festival do Rio no caminho, em seus dias finais. Eis o que curtir neste dia.

Severina, de Felipe Hirsh: Exibido antes no Festival de Locarno, na Suíça, este longa é um drama de amor, palavras e inquietações existenciais, rodado no Uruguai, com elenco hispânico, sob os cuidados do produtor Rodrigo Teixeira (Tim Maia).  Escrito por Hirsch, o filme tem foco na rotina de um livreiro, aspirante a escritor (papel de Javier Drôlas), cuja rotina é abalada por uma enigmática mulher que rouba em sua loja. O roteiro é baseado na prosa do escritor guatemalteco Rodrigo Rey Rosa (autor de Os Surdos).  Carla Quevedo, também da Argentina, vive o par de Drôlas no projeto, que começou a ser produzido durante a criação de Puzzle, projeto teatral realizado especialmente para a Feira de Livro de Frankfurt (Alemanha), em 2013. No elenco, há ainda atores latinos de peso como Alfredo Castro e Daniel Hendler. Passa às 13h45, no Kinoplex São Luiz;

Yoga: Arquitetura da Paz, de Heitor Dhalia: Com o mesmo capricho narrativo de suas ficções, o realizador de O Cheiro do Ralo (2006) nos banha aqui com um fluxo de imagens documentais feitas em diferentes cantos do mundo sobre meditação, sobre respiração e sobre os métodos de autodescoberta inerentes à ioga. Com estreia em circuito marcada para 9 de novembro, antes de ir para o menu NetFlix, o filme tem como sua gênese o trabalho do fotografo Michael O’Neill sobre grandes gurus. Roxy 2, 13h45;


Depois Daquela Montanha, de Hany Abu-Assad: Maior surpresa gringa do evento até agora, The Mountain Between Us (no original) é uma love story com pinta de aventura neve, brega até o osso. A trama fala do périplo pela sobrevivência de uma fotógrafa (Kate Winslet) e um médico (Idris Elba, sempre impecável) numa inóspita região nevada. Foi um sucesso de público em sua estreia nos EUA, com US$ 10 milhões de bilheteria. Cinépolis Lagoon, 14h.

“Altas Expectativas” no Ponto Cine: Nos menores frascos…

Altas Expectativas, de Álvaro Campos e Pedro Antônio Paes: Recebida com ardor no Festival de Montreal, na seção Focus On World Cinema, esta love story à brasileira, estrelada pelo comediante Gigante Leo, desafia nossos preconceitos menos visíveis. Previsto para estrear no dia 30 de novembro, o longa-metragem adota Camila Márdila (de Que Horas Ela Volta?) como par romântico do humorista. Sua trama gira em torno de Décio, um tímido (porém vitorioso) treinador de cavalos do Jóckey Clube que se apaixona por Lena, uma jovem artista plástica melancólica que acaba de herdar um pequeno café no mesmo espaço. Essa relação seria só mais outra história de amor, se Décio não fosse perspicaz, engraçado, sensível – e também um anão. Ponto Cine, 16h;

Motorrad, de Vicente Amorim: Centrado em estranhos motoqueiros encourados em jaquetas pretas, com rostos velados sob capacetes à caça de uma turba de jovens, o longa-metragem de Amorim pode ser definido como um thriller com centelha de horror. Produzido por L. G. Tubaldini J.R. e André Skaf, o filme é o primeiro longa da América Latina com esse perfil de tons sombrios (fora da escola sociológica política ou do melodrama social) a alcançar relevo no Toronto International Film Festival. No enredo de Motorrad, um grupo de motoqueiros é perseguido por psicopatas com motocas paramentadas para cantar pneu (e matar). O ator Guilherme Prates é Hugo, um dos jovens que encaram uma trilha com amigos, novos conhecidos e algumas beldades, até ser caçado por uma gangue misteriosa. No elenco estão Carla Salle, (o sempre ótimo) Emilio Dantas, Juliana Lohmann, Pablo Sanábio, Rodrigo Vidigal e Alex Nader.  Odeon, 19h15

“A Festa”: Sally Potter still rocks

A Festa, de Sally Potter: Pequenininha em termos de duração (são só 71 minutos, sendo cada um deles mais delicioso do que o outro), esta comédia em preto e branco é precisa nos alvos políticos ao mirar hipocrisias dos ingleses (e de outros povos da Europa e das Américas). Foi o filme mais ovacionado da Berlinale este ano – em parte por sua concisão, mas muito por sua habilidade de destilar fel sem perder a elegância. Não há uma frase sequer no roteiro, escrito pela própria cineasta, que não esbanje escárnio, sobretudo por sair da boca da nata do cinema europeu, começando com Timothy Spall, o eterno Rabicho da franquia Harry Potter. A seu lado estão astros de distintas gerações e nacionalidades, vide o irlandês Cillian Murphy (o desertor de Dunkirk), a britânica Kristin Scott Thomas (de O Paciente Inglês), a americana Patricia Clarkson (de Vicky Cristina Barcelona) e o mítico ator alemão Bruno Ganz, o anjo de Asas do Desejo (1987). Estação Ipanema, 20h20

O Formidável, de Michel Hazanavicius: Lançado na França no dia 13 de setembro, quando vendeu 80 mil ingressos no seu fim de semana de estreia, Le Redoutable  recria o período entre 1967 e 1970 no qual Godard lança seu tratado político mais feroz nas telas, o longa A Chinesa, e na sequência, junta esforços ao grupo militante Dziga Vertov. Sua meta é criar um cinema militante. É Louis Garrel quem interpreta o mítico diretor. No período recriado na trama, ele vive uma tórrida (mas um tanto ingênua) paixão por uma atriz, Anne Wiazemsky (Stacy Martin, graciosa). No auge do namoro, Godard se mete nos protestos de maio de 1968 e tem sua obra questionada pela ala de esquerda mais combativa. Sua resposta é o radicalismo, em seus filmes e em sua vida. Odeon, 21h30

Por hoje (12/10) é isso.

Como tem gente que vai emendar esta sexta, a pedida pro dia 13 é… 

“Entrevistas com Putin”: Oliver Stone no MAM falando das crises russas

As Entrevistas Com Putin, de Oliver Stone: Mais do que uma aula de História, este épico documental de 232 minutos feito para diluir a histeria antirrusa ilustra a fluidez narrativa de Oliver Stone que, embora tenha perdido o prestígio popular de que gozava nos tempos de Platoon (1986), preservou na estética a centelha provocativa de investigador que fez sua fama na década de 1980. Aqui, o líder eslavo fala de seu projeto de nação e de povo. O papo deles virou um livraço homônimo que a Editora BestSeller (do Grupo Record) lança agora no Brasil. Cinemateca do MAM, 15h;

Last Flag Flying, de Richard Linklater: Protagonizada por Bryan Cranston, Steve Carell e Laurence Fishburne, esta nova produção do realizador de Boyhood (2014) é uma espécie de parte dois para um cult do pacifismo a década de 1970: A Última Missão, de Hal Ashby. No novo longa, Linklater segue a cerimônia do adeus empreendida por Doc (Steve Carell), um homem em luto pela morte do filho do front, para o guri e para seu passado. Eke resolve arrastar o cadáver do garoto, do Texas a New Hampshire, com uma ajuda dos velhos colegas de farda: Sal (Bryan Cranston) e Mueller (Laurence Fishburne), agora um reverendo. Kinoplex São Luiz, 16h15;

Política, Manuel de Instruções, de Fernando León de Aronoa: Aclamado entre nós em 2004 por Segundas-Feiras ao Sol, o diretor espanhol faz um balanço sobre as utopias possíveis nos dias de hoje ao acompanhar os ritos de fundação do partido Podemos, criado por universitários e professores em seu país para questionar a fossilização da política. Foi exibido no Festival de Berlim, recebido com aplausos inflamados. Instituto Moreira Salles: 17h45.