André Mattos faz de ‘O Nome da Morte’ a maior diversão

André Mattos faz de ‘O Nome da Morte’ a maior diversão

Rodrigo Fonseca

09 Outubro 2017 | 11h23

André Mattos é um tira corrupto que dá instruções ao sobrinho (Marco Pigossi) em “O Nome da Morte”

Rodrigo Fonseca
Não importa qual seja O Nome da Morte – título do thriller nacional exibido domingo à noite na Première Brasil -, seu sobrenome é adrenalina. Tem tiroteios e perseguição feitos de forma competente nesta produção, que dialoga com nossa tradição de fazer ação em forma de dramas sociais – no caso uma investigação sobre a indústria dos assassinos de aluguel no Centro-Oeste. Mas o que mais surpreende, nesta versão para a seara audiovisual de um dos mais respeitados romances-reportagem da literatura jornalística do país, é o desempenho cômico de André Mattos, que fez o Cinépolis Lagoon sorrir de orelha a orelha no domingo. Nesta adaptação do livro homônimo de Klester Cavalcanti, em concurso na Première Brasil, André entra como uma espécie de Mestre Yoda para o aspirante a pistoleiro Julio Santana, personagem real, que matou 492 pessoas por dinheiro. Ele aqui ganha as feições de Marco Pigossi, que estreia na telona como protagonista com uma atuação na medida.

Em concurso pelo Troféu Redentor, o longa de Henrique Goldman (de Jean Charles) é uma discussão sobre o mercado paralelo dos matadores no interior do Brasil, onde a impunidade reina. O roteiro de George Moura foca no lado humano da máquina de matar que escolheu como objeto, mas parte dele para fazer uma radiografia de uma prática mercadológica escusa. É um roteiro que acende a centelha da denúncia. Mas é uma escrita que deixa no ar boas deixas para o elenco construir pequenas mas vívidas verdades individuais. E Mattos é quem abocanha essa deixa com mais fome. Ele e o midas do riso Augusto Madeira, impagável na pele de uma vítima que brinca com as confusões futebolísticas do Flamengo.    

Visto na pele do deputado e apresentador de TV de Tropa de Elite 2 (2010), Mattos dá um show aqui – digno de um prêmio de coadjuvante – sob a farda do policial corrupto, tio de Julio, que faz do sobrinho um ás na arte de matar. Ele funciona como o alívio tragicômico da reconstituição da ciranda real de execuções cometida pelo pistoleiro.

Entre os curtas exibidos até agora, a animação Tailor, de Calí dos Anjos, na seção Novos Rumos, é a coisa mais necessária de todo este Festival do Rio por sua frontal abordagem para a realidade dos transgêneros. Mas pintou na competição nacional um exercício fino de humor, na seara documental, que comprova a evolução narrativa do diretor Ângelo Defanti (de A Melhor Idade): o geopolítico Borá. A produção visita a ex-menor cidade do Brasil a partir da provocação aberta por um post confessional de um antigo prefeito do local.