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A bela de Berlim em ’24 Semanas’ de amor… e dor
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Rodrigo Fonseca

14 Fevereiro 2016 | 22h16

Deliciosamente linda, na pequenez de 1,67m de altura, a alemã Julia Jentsch assoprará sua 38ª velinha de aniversário neste sábado, dia 20/2, data da entrega das láureas do 66º Festival de Berlim, no qual ela é – até o momento – a favorita em gênero, número e grau ao prêmio de melhor atriz por 24 Semanas (24 Weeks). Você provavelmente vai lembrar desse quindinzinho de gente se puxar pela memória filmes como Edukators (2004), A Queda – As Últimas Horas de Hitler (2004) e Sophie Scholl – Uma Mulher Contra Hitler, pelo qual ela saiu laureada aqui da Berlinale em 2005. O resultado pode se repetir pelo seu desempenho neste drama (daqueles dos mais descabelados, de tirar choro de pupilas secas) pilotado pela pedagoga, professora de dramaturgia e cineasta Anne Zohra Berrached.

Julia Jentsch é a favorita da hora por "24 Weeks"

Julia Jentsch é a favorita da hora em Berlim por “24 Weeks”

 

Julia atomizou a frieza de um domingo gelado no papel de Astrid, uma comediante de stand-up queridíssima na Alemanha e que carrega em seu ventre um segundo filho. A primeira, de 9 anos, espera a chegada do bebê com a curiosidade de quem pode perder seu reino de afeto. Mas a notícia de que a criança nascerá com problemas de saúde grave desestabiliza Astrid e sua rotina profissional, transformando seu pacto com o riso num fardo. Estrela em solo germânico, Julia – que visitou o Brasil durante o Festival Internacional de Cinema de Brasília em 2005 e soltou o requebrado num pagode nos confins da capital do país – galga patamares mais altos em sua trajetória artística. Lembra a jovem Meryl Streep. E esta, para quem não sabe, é a chefona do júri berlinense de 2016.

Quem vem fazendo bonito por aqui também é o curta capixaba Das Águas Que Passam, única produção nacional em concurso no certame oficial de Berlim nesta edição.66. Trata-se de um mergulho (literal) na rotina de um pescador do interior do Espírito Santo, cujo dia a dia serve para o cineasta como mote de uma reflexão (de tintas quase cinemanovistas) sobre a invisibilidade.

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