1968 visto a partir da Berlinale

1968 visto a partir da Berlinale

Rodrigo Fonseca

13 Fevereiro 2018 | 13h43

“Quem o Viu Morrer?”: Urso de Ouro há 50 anos, para a Suécia

Rodrigo Fonseca
Ano mítico para as transformações políticas do Ocidente, 1968 marcou a Berlinale com a vitória da produção sueca Quem o Viu Morrer? (Ole Dole Doff). Na ocasião, o Urso dourado ficou com este drama de Jan Troell, sobre o sistema de educação nos países escandinavos tendo como base os conflitos morais de um professor levado aos limites. Naquele ano, o espanhol Carlos Saura recebeu um prêmio de melhor direção por seu trabalho em Peppermint Frappé, que foi também escalado para Cannes e teve sua projeção na Croisette suspensa por protestos. O .68  no Festival de Berlim – cuja edição 2018 começa nesta quinta, com Ilha de Cachorros, de Wes Anderson (em competição) – rendeu ainda um prêmio especial do júri para Werner Herzog e seu Sinais de Vida.

O rol de concorrentes ao Urso de Ouro deste ano estão produções esperadas como o drama americano Don’t Worry, He Won’t Get Far On Foot, de Gus Van Sant, o musical filipino Season of The Devil, do sempre agradável (e contundente) Lav Diaz; e o suspense Eva, vindo da França de Benôit Jacquot. E tem muito espaço para a produção brasileira na Berlinale 2018.

Há uma leva de títulos nacionais e de filmes estrangeiros pilotados por brasileiros em distintas mostras, a começar por uma produção entre Paraguai e Brasil chamada Las Herederas, de Marcelo Martinessi, que entrou na briga pelo Urso de Ouro. Vinte anos depois de ganhar o Urso berlinense com Tropa de Elite, o diretor carioca José Padilha exibirá seu aguardado thriller 7 Dias em Entebbe na Berlinale Special. No Panorama, entraram: Aeroporto Central, de Karim Aïnouz; Bixa Travesti, de Claudia Priscilla e Kiko Goifman; Ex-Pajé, de Luiz Bolognesi; Tinta Bruta, de Marcio Reolon e Filipe Matzembache; e O Processo, documentário dirigido por Maria Augusta Ramos sobre o Impeachment de Dilma Rousseff. No Fórum, escalaram Eu sou o Rio, de Gabraz Sanna e Anne Santos. Para a mostra Generation, que tem o carioca Felipe Bragança (de Não Devore Meu Coração) como jurado, foi convocado Unicórnio, de Eduardo Nunes, com Patrícia Pillar e o sempre genial Zécarlos Machado tendo cenas animadas por Marão em sua narrativa. Na Berlinale Shorts, competem os curtas Alma Bandida, de Marco Antônio Pereira; Terremoto Santo, da dupla Bárbara Wagner & Benjamin de Burca; e a coprodução com Portugal Russa, de Ricardo Alves Jr. e João Salaviza. Haverá ainda projeção de projetos da TV Globo no mercado internacional de séries, com destaque para Vade Retro, com Tony Ramos, que será exibida no dia 20, no Zoo Palast.