‘Despacito’, a música que a gente odeia amar tanto, conquistou Justin Bieber na Colômbia
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‘Despacito’, a música que a gente odeia amar tanto, conquistou Justin Bieber na Colômbia

Pedro Antunes

17 Maio 2017 | 16h49

Hit de Luis Fonsi e Daddy Yankee, com a participação de Justin Bieber, atinge o primeiro lugar da parada norte-americana, tal qual ‘Macarena’, e em 1996

Capa de ‘Despacito Remix’, com a participação de Justin Bieber

“Despacito…”

Justin Bieber diz assim, em um espanhol vagaroso, quase num sussurro.

Na primeira vez, é esquisito. Na segunda audição, o reggaeton urbano gruda. Na terceira, é fácil se pegar mexendo ao ritmo do “pá pá, pum pá”, que martela a canção ao fundo em uma contagem lenta.

Despacito é a música do mês – toca nas rádios com uma frequência assustadora, a ponto de tirar espaço dois sertanejos e faz os outros pop soarem frios. Chegou ao primeiro posto na parada norte-americana. A última vez de uma música em espanhol a atingir o primeiro lugar na Billboard 100 foi Macarena. Pois é. Há 21 anos. Pois é, também.

A criação de Luis Fonsi e Daddy Yankee, cantor e rapper, ambos porto-riquenhos, foi gestada para ir longe. “Queria uma canção divertida que tivesse aquela latinidade e, ao mesmo tempo, fosse fácil de cantar e boa para dançar”, disse Fonsi, após o sucesso de Despacito.

Abaixo, o clipe da versão sem Bieber:

O rapper Yankee foi escalado para criar as frases faladas e trazer o clima urbano. Por fim, a panamenha Erika Ender se juntou a Fonsi para criar versos que fossem respeitosos. Dois acertos.

O resultado, lançado em janeiro deste ano, pelo braço latino da gravadora Universal, chegou ao segundo lugar da parada Hot Latin Songs que, obviamente, aponta as músicas mais quentes em espanhol.

O vídeo da música ainda sem Bieber atingiu 1 bilhão de visualizações no YouTube em 97 dias, se tornando o segundo mais rápido a atingir essa marca, perdendo apenas de Hello, de Adele.

E assim Justin Bieber descobriu a canção, numa boate na Colômbia, no início do ano, durante a turnê que veio ao Brasil (leia o que achamos do show em São Paulo). Ficou alucinado com a resposta das pessoas à canção de Fonsi. Ambos artistas da mesma gravadora, ficou fácil reunir ambos.

O canadense gravou em um dia de folga para o remix que agora toma conta do mundo. E ainda cantou em espanhol pela primeira vez na carreira – um baita filão a ser explorado pelo guri.

“Já era um hit global, mas Bieber ajudou a música a abrir o mercado anglo-saxão”, explicou Fonsi ao site Yahoo!.

Com Bieber, a música atingiu o primeiro lugar da Billboard 100, a mais importante parada nos EUA. Se comparou a Macarena, datada de uma época em que chegava a primeira onda de música latina pop no país norte-americano.

Em tempos de Donald Trump, ter uma canção em espanhol como a mais tocada nas rádios, é de fazer sorrir por dentro.

O vídeo com Bieber foi assistido assustadoramente 23,8 milhões de vezes na data de estreia.

Assista: 

Com o astro ex-teen, Despacido se tornou de fato o pop que a gente odeia amar tanto. A batida é envolvente e as harmonias vocais funcionam como mãos na cintura para ensinar o ritmo da dança.

Tudo é milimetricamente orquestrado. O mundo pop é assim, é claro. As vozes em conjunto no refrão, com Bieber derrapando fofamente no inglês vai agradar beliebers e até quem não é, dão andamento e crescimento à música. Seu orgasmo pop musical. A letra narra a conquista, o romance, o calor do beijo e do corpo no corpo.

Irritantemente envolvente.

Faz você cantar.

“Despacito…”

Droga.

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