As eleições, as redes sociais e a paixão

Estadão

02 Outubro 2012 | 17h18

Véspera de eleições. O que posso dizer sobre São Paulo: ESTAMOS TODOS DOIDOS. E não, não dá para falar da novela essa semana porque eu também sou doida e não tenho outro assunto. Eleição empatada, ânimos inflamados. No passado, isso significaria algumas brigas sérias de boteco com direito a tapas (será?).

Hoje, tudo é transferido para as redes sociais. E nas redes sociais, como todo mundo sabe, as pessoas brigam MAIS. Muito fácil ser corajoso sem olhar no olho, de casa, escrevendo do seu computador. “Se beber, não tuíte”, diz uma máxima usada pelos tuiteiros. “Se estiver no momento surto eleição”, não tuíte, adapto. Ou xingue MUITO no twitter, o que muita gente tem feito, e se prepare para perder uns amigos. O Twitter é a nova mesa de bar e os ânimos estão exaltadíssimos.

Nas redes, em épocas de paixões, aparecem todos os tipos de teorias de conspiração possíveis. “Essa pesquisa foi manipulada”, “O Facebook deletou meu evento político de propósito” e por aí vai. Não sei, mesmo, o que é verdade ou é mentira.

Mas, curioso, agimos da mesma forma quando estamos apaixonados. “A pesquisa não saiu ainda, isso significa alguma coisa”. “Ele não me ligou ainda, isso significa que ele não é afim de mim.” “Ele atrasou a resposta daquela DM, o que isso significa?” Apaixonados são paranóicos, conspiradores e doentes crônicos da síndrome “do que isso significa”. Mas melhor quem é apaixonado do que quem tem coração de gelo.

Em épocas de redes sociais, a paixão fica mais exposta. Isso gera briga, ódio, barraco. Mas será que isso é ruim? Não acho. Realmente, desculpem, não dá mesmo para pensar em novela, estréia de programa ou algo parecido desse jeito. Estamos apaixonados. Apaixonados são obcecados, fazer o quê?