Graciela Magnoni: cidadã do mundo

Graciela Magnoni: cidadã do mundo

Mônica Zarattini

28 Janeiro 2015 | 09h38

day 6 1

Kathmandu, Nepal, 2014

Graciela conta com a sorte e a intuição para captar todos os detalhes das diversas cidades do mundo por onde passou. Filha de mãe uruguaia e pai francês, desde pequena caiu na estrada. O pai era executivo e trocava com frequência de emprego. Da infância à adolescência, Graciela morou em São Paulo, Bogotá, Cidade do Panamá, Manaus, Montevidéo, Paris, Barcelona, São Paulo de novo, ufa…! Aqui ficou um tempo, estudou Jornalismo na PUC/SP e começou a fotografar para o extinto jornal de esquerda Voz da Unidade e depois para a revista Isto É. Aos 29 anos, foi morar em Nova Iorque, depois Minneápolis e agora está em Cingapura.


Depois de tantas andanças, Graciela se apegou à “fotografia de rua” com muita paciência e perseverança. Ao usar tão plenamente sombras e planos, sua fotografia adquire profundidade. E nela vários elementos fazem parte da cena como se numa mesma imagem várias histórias fossem contadas. Ela diz que não pretende criar cenas nem contar com a colaboração dos seus fotografados: quer a espontaneidade para que tudo se encaixe na hora do clic. É membro da “Calle 35, Coletiva Espanhola de Fotografia de Rua”. A liberdade de estar na rua sem roteiro prévio deixa a fotógrafa respirar e produzir as imagens ímpares aqui mostradas.

 

Kathmandu, Nepal, 2014

Kathmandu, Nepal, 2014

 

Kathmandu, Nepal, 2014

Kathmandu, Nepal, 2014 

 

Nova Deli, Índia, 2014

Nova Deli, Índia, 2014

 

Nova Deli, Índia, 2014

Nova Deli, Índia, 2014

 

Instambul, Turquia, 2014

Instambul, Turquia, 2014

De que tratam essas fotografias?

Meu trabalho tem como objetivo a fotografia nas ruas das cidades ao redor do mundo. Eu não tento descrever, nem passar nenhuma mensagem em especial. Minha intenção é captar momentos que me surpreendam, reconfigurar uma realidade, sem manipular a cena e sem a cooperação, nem o conhecimento das pessoas que são fotografadas. Acredito que essa espontaneidade é que faz a imagem parecer mais genuína ou simplesmente a sorte faz com que tudo se encaixe, o que seria impossível de se orquestrar. Adoro a liberdade que a fotografia de rua me proporciona, me fazendo descobrir lugares novos e composições interessantes, despretensiosamente. O fator surpresa é inesgotável nas ruas, pois o inesperado pode acontecer a qualquer momento e transformar uma simples cena em uma imagem surpreendente. 

Havana, Cuba, 2013

Havana, Cuba, 2013

 

Havana, Cuba, 2013

Havana, Cuba, 2013

Qual é seu jeito de fotografar?

Minha rotina para fotografar é simples: escolho uma cidade, na boa temporada, com potencial visual e com boa luz, acordo cedo e saio  às ruas sem roteiro, apenas observando os backgrounds interessantes, às vezes espero algo acontecer, às vezes não. Sempre sigo minha intuição, meu instinto, sem pensar muito. Me aproximo das pessoas para destacar os primeiros planos e componho o plano de fundo com outras informações. Também gosto do uso das sombras que me ajudam a criar uma profundidade, uma perspectiva visual, a imagem fica menos plana. Minha rotina de trabalho se resume sempre em olhar com atenção, antecipar, seguir a intuição, ser persistente. Quando sinto que não vou encontrar nada, paro para tomar um café, torcendo para que algo aconteça.

 

USA, San Francisco, 2014 .5

São Francisco, EUA, 2014

 

Minneapolis, EUA, 2014

Minneapolis, EUA, 2014

 

São Francisco, EUA, 2014

São Francisco, EUA, 2014

 

Minneapolis, EUA, 2014

Minneapolis, EUA, 2014

E as pessoas te percebem na cena ?

Às vezes acontecem coisas engraçadas. Um dia em Nova Déli, na Índia, estava numa esquina onde a luz e as sombras estavam ótimas, havia uma parede pichada com texturas interessantes e um grupo de mulheres sentadas ao fundo. Resolvi esperar para ver os acontecimentos. Depois de um certo tempo em pé, observando, apareceu, de repente, um vizinho indignado por eu estar fotografando uma parede tão feia, o que certamente não seria uma boa imagem para se passar da Índia. Ele estava determinado a não deixar que eu fotografasse ali, até eu explicar como as sombras e a luz faziam daquele muro algo lindo. Consegui convencê-lo. Dez minutos mais tarde, o homem volta com uma cadeira para eu esperar sentada em frente ao muro. No final consegui uma boa foto e ele começou a ver o seu bairro com mais orgulho! 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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