Volta pra Cuba!

Volta pra Cuba!

Marcelo Rubens Paiva

14 Março 2018 | 10h53

 

Segundo o governo cubano, em torno de 13 mil exilados pediram repatriação em 2017. E número não para de crescer.

A maioria vive nos EUA e tem mais de 50 anos de idade.

O sistema de saúde do regime comunista cubano tem atraído exilados. E mais. O governo inventiva a volta. Não o de Trump, mas o de Castro

O incentivo ao retorno é um dos projetos da nova reforma de imigração proposta por Rául Castro em 2013 e resultado do afrouxamento da relação entre os dois países, promovida por Obama.

Alguns querem se aposentar em dólares na Ilha. Outros, precisam do sistema de saúde pública gratuita. E tem até aqueles que retornam ao ativismo político, com o afrouxamento da dureza do regime castrista.

Cubanos que retornam também podem levar produtos livres de importação. O que os leva a experimentar o ofício de sacoleiro e oferecer remédios e produtos que faltam aos cubanos e parentes.

Cubanos que queiram voltar devem procurar os consulados e pedir a repatriação.

Histórias saíram no inquestionável jornal Miami Herald, em paz com a comunidade de exilados cubanos da Flórida.

Que têm voltado a Cuba, depois de experimentarem o exílio no “mundo livre”.

Personagens revelam solidão, doenças terminais e falta de apoio a cubanos idosos que moram nos EUA. Ou apenas é a chance de realizar um bom negócio.

Rene foi para Miami como refugiado político em 2004. Aos 78 anos, a solidão bateu. Nascido em Guantánamo, perdeu a mulher. Viveu com a filha e neto. Em julho pediu permissão ao governo cubano para voltar.

Apesar da cidadania americana conquistada, quer morar com seus quatro irmãos, sobrinhos e netos na Ilha.

Não demostra arrependimento de ter se exilado. Porém disse que em Cuba é diferente. “Você anda ao redor, fala com as pessoas. Nos Estados Unidos você pode passar meses sem ver seus vizinhos”.

Iliana Hernandez é ativista do movimento Somos+. Voltou da Espanha em 2016 com a vantagem de, diferentemente dos cubanos não exilados, poder viajar para fora.

Outros lembram que, enquanto o passaporte americano custa 400 dólares, o cubano custa cem.

Nem todos podem voltar.

Ofelia Acevedo, que mora em Miami, viúva do ativista Oswaldo Payá, teve o visto proibido.

Payá que tentou reformar a constituição cubana, fundou um partido católico e o Internacional Democrata de Centro, na ilha, morreu de forma suspeita num acidente de caro em 2012.

Veja relato dos que querem ou voltaram: http://www.miamiherald.com/news/local/community/miami-dade/article204732234.html