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Vinyl é over

Marcelo Rubens Paiva

15 Fevereiro 2016 | 10h20

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VINYL, a séria mais aguardada do ano, com estreia mundial ontem, domingo, e direito a sinal aberto da HBO, é over.

Alguém na emissora refletiu: vamos fazer a série das séries. Vamos traçar a história da indústria até sua derrocada. Ficaremos anos em cartaz.

Tema infalível? Música, capitalismo perverso, drogas e sexo.

Inspiração? Os Bons Companheiros, MADMEN (série oferecida cinco vezes para a HBO, recusada, que foi para a AMC, e a emissora nunca se perdoou por ter perdido para a rival), GAME OF THRONES (com uma possibilidade infinita de conflitos e personagens louco), com SOPRANO.

Produzida pela lenda Mick Jagger, Martin Scorsese, Rich Cohen e Terence Winter

Piloto? Do próprio Martin Scorsese, da sensacional BOARDWALK EMPIRE, série da própria HBO, com duas horas de duração.

Tudo para dar certo. Em termos.

Esqueceram-se de uma trupe de roteiristas digna.

Esqueceram-se da sutileza de MADMEN e da inteligência de Goodfellas, Don Draper e sua agência.

Quem viveu aquela época, 1973, de cara pensou: “Nossa, não era bem assim, está exagerado, bem exagerado”.

Na primeira cena, Richie Finestra (Bobby Cannavale), dono da gravadora American Century, dá um teco (um tiro, como se dizia) e joga a cabeça pra trás. Over. Sua viagem no show do NY Dolls está mais para alucinógena que para eletrificada.

Na gravadora, o figurino parece o de uma festa a fantasia. Bem over.

O divulgador dá de jabá para um radialista uma carreira de pó boliviano. Errado: o bom era o peruano.

No show do NY Dolls, pessoas correm por cima dos carros, sexo nas escadas, muito paetê. Ah,vá…

Conflitos batidos como o do empresário que explora o bluseiro genial, a secretária que se apaixona pelo músico incompreendido, a modelo russa que só fala em Tchecov (e todos gozam; nunca ouviram falar do maior e mais importante dramaturgo russo), o produtor jovem trapalhão que quer vencer, mas só faz merda, a mulher do dono da gravadora com 2 filhos esperando o marido no subúrbio, a mulher chateadinha com o marido chapado, as piadas fáceis e preconceituosas contra os alemães, sendo que Finestra gosta de uma Mercedes…

Até corpo a ser descartado rola, como em Sopranos.

É o começo, pode e deve melhorar.

A cena punk, CBGB, Stooges (já é citada), está chegando, para revolucionar a indústria e o comportamento.

Tem potencial.

Urgentemente: contratar outros roteiristas, como fizeram em RAY DONOVAN, e funcionou.

No mais, sim, tragam NY Dolls, Led Zeppelin e outras bandas em cena. É a parte imperdível da série.

 

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