um amor não é reciclável

um amor não é reciclável

Marcelo Rubens Paiva

25 Julho 2012 | 11h27

 

O entulho de um amor não é reciclado.

A gilete e a escova dele não prestam mais.


As flores para ela já murcharam.

Perfumes e cremes esquecidos são doados.

Roupas que ficaram vão para quem precisa.

Os carinhos são deixados pra trás.

Os orgânicos bilhetinhos de amor são queimados.

Alguns presentinhos continuam espalhados pela casa. Perdem aos poucos o lugar de destaque. Com o tempo até esquecemos quem deu o quê.

Os discos viraram MP3, cada um deixou as canções armazenadas em nuvens pessoais.

Os livros, até Neruda, vêm em formato digital. Não é preciso disputar por eles.

Um amor não é reciclado.

O amor é.

Até deixa rastros. Que ainda bem que são preenchidos por outro aventureiro.