Tearn down this wall

Tearn down this wall

Marcelo Rubens Paiva

05 Março 2018 | 11h22

 

Artistas protestaram no Oscar 2018.

Esperei alguém dizer: “Mr Trump, tear down this wall”.

Em plena crise de identidade da União Soviética, na chamada distensão (détente), o presidente mais anticomunista de todos, Ronald Reagan, em 12 de junho de 1987 diante do Muro de Berlim, nos portões de Brandemburgo, desafiou:

“Mister Gorbachev, tear down this wall (derrube este muro)”.

Gorbachev ficou branco, mudo e calado.

O ator de segunda classe, Reagan, entrou para a história.

As repúblicas soviéticas se tornaram independentes e derrubaram a cortina de ferro.

O efeito dominó fez o muro cair dois anos depois.

Gorbachev foi derrubado e hoje é considerado um traidor pelos russos.

Ontem, no Oscar, a América Latina, especialmente o México, foi a grande vencedora: filmes como Coco (no Brasil, Vida) e A Forma da Água faturaram os prêmios mais importantes.

O chileno Uma Mulher Fantástica levou o de melhor filme estrangeiro.

Os diretores mexicanos ganharam quatro dos últimos cinco prêmios Oscar: Alfonso Cuarón (Gravidade), Iñárritu (Birdman e Revanche), Gilhermo del Toro (A Forma da Água).

Antes deles ganharam um tailandês, Ang Lee (A Vida de Pi), e um francês, Michel Hazanavicius (O Artista).

Faz sentido ainda o muro na fronteira do México, promessa de campanha de Trump?

Sem contar o fim do programa Dreamers (expulsar filhos de não documentados que vivem nos EUA desde a infância e estudaram em escolas americanas), o desfecho mais desumano de uma política social.

Em pleno século 21, barrar de forma quase obsessiva a imigração é produtiva?

Na fragmentada eleição italiana, em que ninguém levou, a frente anti-imigração, A Liga, cujo líder propõe metralhar botes infláveis com imigrantes africanos que tentam entrar na Europa, pode dar o poder ao 5 Estrelas ou a Berlusconi, numa coligação eventual.

Logo na Itália, alguma dessas frentes terá estômago para se aliar ao neofascismo?

E o que acontecerão com as atletas Paola Eganu (melhor jogadora de vôlei) e o time de atletismo indoor italiano (obrigado Antero Grecco)?

O mundo é outro.

Só os xenófobos não notaram.