Trump, o pesadelo americano

Trump, o pesadelo americano

Marcelo Rubens Paiva

05 Abril 2018 | 10h36

 

Channel 4, do Reino Unido, teve o brilhante insight de produzir a série documental Trump: An American Dream, em 2017 (agora no Netflix).

Porque apenas produtores independentes, de fora, poderiam arriscar entender do que se trata a maior aberração polícia da história das democracias modernas.

Dividida em quatro partes, quatro episódios, revemos o empresário ambicioso Donald Trump que começou em 1976 e atravessou cinco décadas enriquecendo com isenções espúrias, três casamentos e um número incontável de gafes e grosserias.

  1. Como homem de negócios da construção, filho de um empreiteiro do Brooklin, que priorizava o luxo e o dourado na decoração de suas obras megalomaníacas.
  2. Como investidor de hotéis, cassinos e até uma companhia aérea, que aparentava ter muito mais do que seus extratos indicavam e acabou falindo.
  3. Como homem da mídia, num programa popular exibido em rede, O Aprendiz, que namorava modelos mais jovens.
  4. Como político, inspirado no discurso de um lutador de luta-livre, que se elegeu governador por Minnesota, Jesse Ventura, entre 1999 e 2003, xingando a imprensa e políticos tradicionais, grosserias que surpreenderam o eleitor e serviram de inspiração ao atual presidente americano.

Trump é pior do que imaginamos.

Egocêntrico e narcisista, é um sociopata (no sentido de não ter a menor empatia) full-time, que humilha a própria mulher, Ivana, publicamente, quando sua popularidade era maior que a dele.

Mente a todo tempo. Exagera dados. Usa apenas hipérboles.

Mentiu que tinha um caso com Carla Bruni, quando ela namorava Mick Jagger.

Mentiu sobre a certidão de nascimento de Obama.

O documentário mostra como suas boas relações com a Máfia, que monopolizava a distribuição de concreto em NY, renderam bons frutos: a Trump Tower.

Associou-se com o pior da política americana, como o ex-promotor direitista, Roy Cohn, principal nome do macarthismo, que perseguia homossexuais e morreu de complicações da Aids.

Trump é um doente, com o prognóstico pior do que se pensa.

E se isso é o sonho americano, imagine o pesadelo…