Tranqueira espacial

Tranqueira espacial

Marcelo Rubens Paiva

08 Fevereiro 2018 | 09h30

 

A ideia de enviar um carro Tesla Roadster com um boneco ao espaço, na ponta do superfoguete Falcon Heavy, da Space X, empresa de Elon Musk, pegou muita gente de surpresa.

E inaugurou uma era que pode ser muito explorada comercialmente.

Considerado o foguete mais potente em atividade, reutilizável, econômico, coloca a iniciativa privada de vez na escalada da conquista espacial; o sonho de Musk é chegar a Marte.

Porém, perdemos todo glamour e simbologia do que significava a conquista, uma união de esforços entre vários povos, antigos aliados ou inimigos, em várias línguas, representando a humanidade, a Terra, o pensamento e a crença, a arte e a biologia, e a possibilidade da paz futura.

Não enviamos mais sondas com mensagens em disco de ouro sobre nós.

Mas um carro com um boneco, que será bombardeado por radiação e queimará na entrada da atmosfera do planeta mais próximo.

O precedente comercial está aberto.

A Space X poderá começar a negociar o espaço em seu foguete e o que enviar.

Logo, uma franquia de fastfood poderá enviar hambúrgueres com batata frita ao espaço.

ETs engordarão.

Ou pizzas que giram, para alienígenas experimentarem uma de nossas delícias gastronômicas.

Naves em formato de garrafas de cerveja ou latas de refrigerante podem viajar pelo espaço.

Júpiter será bombardeado por meteoritos da M&M nas cores verde, vermelha, amarela e azul, numa transmissão ao vivo pelas redes sociais.

Um satélite redondo e azul como um enorme Viagra, em ação patrocinada pelo laboratório, poderá ser colocado ao redor da Terra, e girar no céu sobre nós, associando-o à potência fálica do superfoguete.

Astronautas poderão viajar com roupas de super-heróis da Marvel, em ações de marketing em pré-lançamentos de filmes.

O céu não é o limite.

Vivemos uma nova era, sem bandeiras de nações, mas marcas de corporações.