Traficantes de likes

Traficantes de likes

Marcelo Rubens Paiva

29 Maio 2017 | 10h29

 

Receber uma aprovação (like) num comentário postado em redes sociais, aumenta a sensação de prazer, a serotonina. Como um cigarro.

Posta-se para conseguir o like. Posta-se até conseguir. Como na dependência de uma droga.


Não receber, angústia.

Descobriu-se um negócio, porém, rentável, a chocadeira de likes.

O do tráfico deles:

 

 

Onde tem droga, tem traficante.

Ele aumenta a autoestima, o prestigio com o grupo social da rede social.

O like aumenta o poder de barganha. Pode-se fazer negócios com a popularidade na rede, conquistar pessoas.

Palavras, opiniões e fotos reverberam, mais e mais gente pode curtir (ou odiar), interagir, notar.

Sem a aprovação, a fissura pelo reconhecimento toma dimensões de crise de abstinência.

Alguns passam a noite em busca do like pedido. Noites. Virou mania. Virou epidemia. Vira doença social.

Como granjas, celulares são empilhados, conectados a uma central, curtindo posts, sites, blogs a uma clientela farta.

Não se sabe se vem de um paraíso de pirataria, China, Índia, Rússia, em que se vive uma anarquia cibernética.

É mais um componente para tornar não confiável no espaço infinito que conectou o mundo.

 

fontes: zerohedge e hypeness