Repensando a televisão

Repensando a televisão

Marcelo Rubens Paiva

21 Novembro 2017 | 11h49

 

No passado, o sonho de todo grupo de comunicação era um espaço no satélite e um sinal de televisão.

Grupo Abril, JB, igrejas, lutaram por concessões de rádio e TV controladas com mão de ferro pelo regime Figueiredo. Dóceis ao governo, conseguiam o sinal.


Nos anos 1990, a concessão passou para o Congresso. E apenas a estatal Embratel controlava o satélite.

A luta da TV Cultura, onde eu trabalhava, era o sinal de satélite, para transmitir sua programação para todo Brasil.

Veio a Tecnologia da Informação e mudou tudo: a indústria musical, o cinema, a literatura, a rádio e, claro, não podia ficar de fora, o formato de grade da TV brasileira.

Meu filho de 4 anos diz: “Não quero ver canal hoje.”

Canal é aquela imposição de um diretor de programação que estabelece o dia e horário que os programas serão exibidos, entrecortados por comerciais.

A TV como conhecemos.

Televisão, hoje, é também streaming, vê-se o que quer a hora que quer.

Está na TV, no tablet, no computador, no celular.

Ganha a competição de vídeos curtos postados em redes sociais, especialmente no Facebook e Youtube.

Ter um canal aberto de televisão ou um espaço no satélite não é mais prioridade.

O Grupo Sesc dedica a programação apenas à internet.

O jornalista e diretor Paulo Markun, que já chefiou a TV Cultura, fez uma série de documentários para o SESCTV, Habitar Habitat, que estreia agora dia 29 de novembro. Na intetnet.

“A TV do SESC está hoje circunscrita à internet, por conta de uma interpretação estrita do que deve ser um canal brasileiro. Como não tem CNPJ próprio, o canal ficou de fora da regra que obriga os operadores a carregarem um determinado número de canais brasileiros de conteúdo qualificado.”

Sua nova série vai tratar de tipos de moradia incomuns: Farol, Sem Terra, Sem Teto, Asilo, Motor Home, Veleiro, Ciganos, Comunidades, Cortiço, Circo, Internato, Refugiados e Quilombolas.

“Este último programa [Quilombolas), me parece uma fotografia em movimento do drama brasileiro: os quilombolas que conquistaram afinal sua terra, acabam sendo atraídos pelo progresso como mariposas pela luz e, resultado, onde o progresso chega, a vida piora.”

Outros grupos, como a Fundação Roberto Marinho, repensam o formato de seus empreendimentos, como o Canal Futura, para se encaixarem nas novas exigências do novo público.

Tom Hamburger dirigiu e produziu uma série com o pai, o cineasta Cao Hamburguer.

A série sobre História do Brasil se chama Canal da História e passa no Canal Futura, “o cana”, como diria meu filho, toda segunda as 21h30.

E está aberta ao público do Futura Play e do YouTube.

Link para a série no Futura Play:

http://www.futuraplay.org/serie/canal-da-historia/

Link para a série no YouTube:

O historiador-comunicador Eduardo “Peninha” Bueno entrou com tudo no mercado e dá aulas de história ao seu estilo neste formato.

History Channel contrata youtubers.

O futuro chegou.