PT nas eleições italianas?

PT nas eleições italianas?

Marcelo Rubens Paiva

15 Fevereiro 2018 | 14h45

“Atenção eleitor italiano no Brasil! Cuidado para não ser enganado pelo PT mais uma vez!”

Quem tem cidadania italiana no Brasil e vota em candidatos para deputado e senador nas eleições de lá está recebendo este alerta pelo e-mail eleccionesitalianas@20296.mail1.list-manage10.net.

Segundo o texto anônimo, “a grande maioria dos membros do Partido Democrático (PD) é CONTRA o direito da cidadania italiana aos nossos descendentes. Está em perigo o direito da cidadania italiana aos nossos filhos e netos e não só daqueles que não tiraram a documentação ainda!”


“Além disso, o Partido Democrático (PD) se apresenta nestas eleições escondendo dos cidadãos italianos residentes no Brasil sua íntima ligação com o PARTIDO DOS TRABALHADORES (PT), que é seu aliado histórico.”

O texto cita o apoio que o PD, partido de Matteo Renzi, desgastado no poder italiano, teria dado à reeleição de Dilma, e afirma que o candidato do partido, Fábio Porta, “é um sindicalista que apoiou TODOS os governos do PT”.

Como fonte, cita bemblogado.com.br e europaquotidiano.it.

Porta teria presidido na Câmara dos Deputados da Itália uma sessão para divulgar que Lula é um perseguido político.

“O candidato a deputado FAUSTO LONGO, socialista de carteirinha, já declarou publicamente que é contrário à Operação Lava-Jato. Fabio Porta também é contrário à Operação Lava-Jato como disse em diversas ocasiões. Portanto, se você não vota no PT, não dê jamais o seu voto ao PD da Itália!”

Longo é arquiteto, trabalhou no IPT, na Fapesp, e foi eleito pela AL pelo Partido Socialista Italiano, com 29 mil votos. Ao contrário do que diz o e-mail, ele articulou no final de 2017 para retirar da pauta a emenda que ameaçava o direito à cidadania de brasileiros.

 

 

Todos que possuem cidadania italiana podem votar para a Câmara dos Deputados e para o Senado. O direito é baseado no “juis sanguinis”, a Lei Tremaglia, segundo o qual o cidadão italiano residente no exterior pode votar nas eleições italianas.

A América do Sul tem direito a seis representantes (dois senadores e quatro deputados).

Coincidentemente, como sou cidadão italiano e voto, tenho recebido pelo mesmo e-mail (como o descobriram?) cartas de candidatos da coligação Cívica Popolare, como de Renata Bueno, eleita deputada italiana em 2013, que se anuncia “referência do Brasil e da América do Sul na Itália, mesmo sendo uma das mais jovens parlamentares italianas”.

Renata pede que se vote para o senado para a candidata do Civica Popolare, Helena Montanarini.

As cédulas chegam na casa dos descendentes nas primeiras semanas de fevereiro.

Vota-se pelo correio até o dia 22/02.

As eleições são agora em 4 de março.

As pesquisas de opinião de dezembro de 2017 mostraram a oposição, Movimento Cinco Estrelas, em primeiro lugar (27,5%), seguido de centro-esquerda, o Partido Democrata (24,3%). A direita, do ex-primeiro-ministro Silvio Berlusconi, segue em terceiro (16,1%). A extrema-direita, Liga Norte, partido anti-imigração, alcança 13,7%.