Polarização política e ódio chegam ao futebol

Polarização política e ódio chegam ao futebol

Marcelo Rubens Paiva

11 Maio 2017 | 12h13

 

Ao criticar Jadson e Felipe Melo, Casagrande é atacado nas redes sociais.

Polarização política chegou no futebol.

E junto dela, o pior do discurso do ódio.

Dois grandes ídolos em atividade, Felipe Melo (Palmeiras) e Jadson (Timão), considerados líderes experientes em seus times- o segundo com as mãos ainda com o cheiro da taça de campeão paulista-, resolveram se manifestar politicamente.

Felipe Melo, num vídeo gravado enquanto entrava no carro, disse: “Deus abençoe todos os trabalhadores e pau nos vagabundos. Bolsonaro neles!”

Jadson, no final de semana decisivo, disse: “Essa questão de investigações, Lava Jato, mas o lado da política está sem credibilidade com o povo. Sobre o Bolsonaro, eu já vi entrevistas dele no Youtube, me parece um cara correto.”

O ex-jogador ilustre e comentarista da Rede Globo, Casagrande, um dos expoentes do movimento Democracia Corintiana, decidiu contestar.

Na sua coluna da GQ, hospedada no site da Globo, de terça-feira, dia 9, escreveu: “Bolsonaro? O que Felipe Melo, Jadson e eu (não) temos em comum. Fico na dúvida se os atletas foram realmente entender o que Bolsonaro defende. Na época da Democracia Corintiana, nós sabíamos”.

Depois de escrever que entende que, numa democracia, todos podem expor suas preferências, Casagrande escreve:

“Tive, junto com lendas como Sócrates, a sorte de viver o histórico movimento das Diretas Já. Participamos de comícios, ajudamos a revolucionar a cultura do vestiário e colocamos o Corinthians como uma das grandes vitrines do movimento pelo restabelecimento da democracia no Brasil. Chegamos a ser monitorados pelo Departamento de Ordem Política e Social, órgão que atuava, assim como o Destacamento de Operações de Informações – Centro de Informações de Defesa Interna (DOI-Codi), na repressão de qualquer pensamento contrário ao que o regime impunha. Políticos, artistas, esportistas, estudantes e cidadãos comuns foram muitas vezes taxados de subversivos simplesmente por desejarem o fim da ditadura.”

E explica: “Quem se propusesse a gravar um vídeo contra o status quo – como fez o Felipe Melo – dificilmente escaparia da cadeia. Pois bem: Bolsonaro é entusiasta dos que comandavam os órgãos de repressão na época. Já declarou isso várias vezes e prestou homenagem ao comandante Brilhante Ustra, do DOI-Codi, o principal chefe da repressão, em pleno Congresso Nacional.”

Muitos leitores-torcedores o apoiaram.

Mas a reação contrária assustou o apresentador.

Me confidenciou: “Estou sendo atacado por direitistas. Até a Ana Paula, do vôlei, que critiquei por apoiar o Aécio, veio para a revanche.”

No site da revista, defensores e críticos do jogador-comentarista expuseram suas opiniões.

Os críticos partiram pesadamente para o ataque pessoal [todas em SIC.]:

Rafael: “Falar o q para esse cara… deve ter voltado aos antigos costumes.”

Apparecida Sadu: “antes de ler esse texto achei que o casao estava curando de seu vicio. SQN. Viajou”.

Murilo: “Falou o cara que mais cheira pó do que um aspirador.”

Fritz Odenbreit: “A maioria aqui, que é mínima, devem ler a coluna desse “intelectual” cheira grande.. ops.. casa, não vou nem dizer que a maioria , ou quase tudo, das coisas que ele diz, só existia para quem queria transformar o Brasil em uma Cuba, o lugar que ele diz adorar mas jamais moraria, lá ele teria sido fuzilado.”

Rodrigo Carvlho: “Faça um favor casa (boca)grande, se recolha a sua insignificancia, quando lutavam pela tal democracia, acredito piamente que se soubessem que seria essa bagunça de hoje, não teriam lutado.”

Rodrigo Lobo: “Quem é Casagrande? As drogas afetaram p cérebro dele”

Rafael Silva: “claro que ele é do contra, é um drogado, financia o tráfico de drogas nos morros e favelas. Fala sério.”

Quanto ódio…

Casagrande concluiu:

“Um basta na violência e na corrupção é o que todos desejamos, mas como conseguir isso é que são outros quinhentos. Na Democracia Corintiana, nós sabíamos o que queríamos: a redemocratização do Brasil. Cumprimos o nosso papel. Não à toa, Sócrates ficou tão marcado na história da camisa alvinegra, a mesma que hoje é vestida por Jadson. Ironias da vida.”