Plante na cidade, mas plante bem

Plante na cidade, mas plante bem

Marcelo Rubens Paiva

17 Abril 2018 | 10h55

 

Segundo a NASA, o Brasil usa 7,8% do território nacional com lavouras.

Mas o que os satélites não revelam é o hábito do brasileiro urbano de plantar na rua, em casa, num escritório, no quintal, na varanda, laje, uma horta, ou vasos com temperos, na rede de proteção. Até na sala.

Certa vez, decidi comprar uma muda de Pau Brasil, a árvore em extinção que nos impulsionou, e plantar na minha varanda com vista para a Vila Madalena.

Foi a roubada. Não vingou.

Depois, plantei uma jabuticabeira, árvore que se espalhava por São Paulo na minha infância; na minha primeira casa, tinha uma que abastecia a família.

Foi atacada por fungos e maritacas.

Em São Paulo, grupos de moradores da zona oeste ocupam praças malcuidadas pelos órgãos públicos e criam ecossistemas próprios.

Na Mata Atlântica, grupos de preservação replantam árvores que dão frutos nativos, como Cambuí, Cambuci [abaixo], Gabiroba, e começam a comercializar em lojinhas orgânicas ou fabricar geleias e sorvetes.

 

 

Compõe uma parte ínfima dos 64 milhões de hectares plantados no país considerado uma potência agrícola.

Mas como gerenciar hortas urbanas seguras, bem-sucedidas e sustentáveis?

Com apoio da União das Hortas Comunitárias de SP, o Grupo de Estudos de Agricultura Urbana do Instituto de Estudos Avançados decidiu lançar a cartilha Agricultura Urbana – Guia de Boas Práticas.

Escrita numa parceria do engenheiro ambiental Luís Fernando Amato-Lourenço e Thais Mauad, ela conta que cidades são ótimos lugares para o cultivo de alimentes, mas que alguns lugares podem não ser apropriados por causa da contaminação do solo, água ou ar.

Plantas podem absorver metais, compostos orgânicos ou outras substâncias em concentrações acima do recomendado para o consumo humano.

Chumbo, mercúrio, arsênico, ou compostos derivados da queima incompleta da matéria orgânica, como o benzo(a)pireno, são muito tóxicos e comuns e podem estar associados a doenças.

Primeiro, então, é preciso fazer uma coleta de amostra do solo.

A irrigação não pode ser feita com qualquer água; a captação e uso da água da chuva é recomendada, pois implica em economia para agricultor urbano, reduz o consumo de água potável e auxilia na redução de enchentes.

Vegetais folhosos com superfície rugosa tendem a acumular poluentes que podem ser absorvidos pelas plantas próximas de ruas e avenidas com grande circulação de veículos.

A mistura de poeiras compostas por desgaste de pneus, asfalto e peças podem atacar uma horta.

Partículas em suspensão no ar vão sedimentar e contribuir para a contaminação do solo.

Não basta plantar.

E devemos optar pelas estufas ou o uso de barreiras verticais.

O lançamento da cartilha Agricultura Urbana – Guia de Boas Práticas será às 12h em 27 de abril, na Faculdade de Medicina, avenida Dr. Arnaldo, 455, 5º andar, São Paulo.